O sol estava iluminando toda a rua de Jude.
Jude estava sentado no
banco de janela do seu quarto no sótão.
Ele observava a cidade
de cima, do lugar mais alto da sua casa de veraneio que ficava no topo da
colina mais alta daquela cidadezinha.
Hey Jude dos Beatles
tocava suave no quarto, Jude se sentia muito mais relaxado quando ouvia aquela
música.
- Jude! Querido, desça
para lanchar. - Gritou sua mãe do primeiro andar.
Era aquele tipo típico
de porta de sótão, ficava no chão, tinha uma escadinha em cima dela para que a
gente pudesse descer e subir com facilidade e que abria para baixo.
Jude tirou o lençol que colocava sobre a escada para parecer um
banquinho, soltou o ganchinho que prendia a porta em cima e ali se foi a porta
para baixo ao mesmo tempo em que a escada se abria.
Ele desceu as escadas
devagar e andou pelo segundo andar da casa até as escadas em caracol. No primeiro
andar sentiu o cheiro de ovos mexidos, panquecas, bolos, biscoito e café vindo
da cozinha.
Sua mãe, Anne,
cozinhava muito bem, tanto que era dona de um café na cidade.
Na cozinha sua mãe
colocava chocolate por cima de um bolo de cenoura e seu pai, John, pegava uma
jarra de suco de goiaba da geladeira.
"No que posso
ajudar?" Perguntou Jude.
"Em nada querido.
Vá para a varanda fazer companhia a sua irmã." Disse sua mãe espalhando o chocolate
no bolo.
"Certo"
Respondeu o
garoto.
Na varanda sua irmã,
Mary, brincava com a cachorrinha da família. Mary tinha dez anos, enquanto Jude
tinha quinze.
"Vai Lola, vai
pegar a bola." Disse Mary para a cadela que era da raça Yorkshire.
Mary estava sentada nas
escadas da varanda, Jude se sentou ao seu lado e bagunçou os cabelos pretos da
irmã que sorriu com o carinho.
Lola voltou com a bola
na boca, Jude esticou a mão e a cadela colocou a bola ali esperando para mais
uma rodada de brincadeiras.
Jude jogou a bola longe
e lá se foi a cadelinha.
"Vai Lola!"
Gritaram os dois irmãos juntos.
"Crianças, vão
lavar as mãos para comer." Disse John colocando duas vasilhinhas, uma com
comida e outra com água, no chão para a Lola.
Jude e Mary se levantaram
e foram juntos até o banheiro e lavaram as mãos.
Quando voltaram a
varanda seus pais o esperavam sentados, eles se reuniram e começaram a comer.
Quando terminaram todos
ajudaram a guardar e lavar as coisas. Anne colocou uma toalha grande o bastante
para os quatro no quintal e ali eles descansaram.
Já de noite foram para
a sala e pegaram vários jogos, pediram uma pizza e comeram jogando WAR.
Tarde da noite foram
juntos para o segundo andar e se despediram. Jude voltou para seu quarto,
fechou a escada e então a porta e a prendeu.
Colocou
seu pijama e se deitou, adormeceu quase imediatamente.
Do lado de fora da
casa, pairando no ar na frente da janela do quarto de Jude duas criaturas
apareceram.
"Vida perfeita a
deles, não?" Perguntou o anjo negro, o braço direito daquele que estava ao
seu lado.
"Sim."
Respondeu o outro. "Não vejo nada que possa abalá-los, exceto..."
Disse deixando as palavras no ar.
"O que seria o
exceto?" Perguntou o anjo negro.
"Você verá."
Respondeu o outro. "Agora vá, tenho certeza que você tem muito trabalho
para realizar."
"Sim,
mestre." Disse o anjo negro, fez uma reverência e se foi.
O outro continuou ali,
seus olhos cor de mel brilharam como chamas, ele sorriu maldosamente e entrou
no quarto de Jude.
O outro flutuou pelo
quarto até chegar a Jude, tocou seus cabelos de leve, sorriu e então foi
embora.
***
No dia seguinte, um
domingo de verão, Jude acordou com Mary batendo em sua porta.
"Jude! Acorde,
mamãe está chamando para o café" Disse Mary.
"Estou
indo." Disse o garoto, se levantou da cama e calçou seus chinelos, foi até
o banheiro e jogou lavou o rosto. Depois voltou ao quarto, soltou o gatilho que
segurava a porta que desceu e a escada se abriu. Jude desceu devagar e caminhou
até a escada de caracol, desceu para o segundo andar.
Chegou à cozinha, seus
pais e sua irmã o esperavam, sentados. Ele se juntou a eles e todos tomaram café,
tranqüilos.
Quando acabaram de
tomar café, todos ajudaram a guardar e lavar as coisas, Jude ajudava a mãe a
lavar os utensílios.
"Mãe, é hoje que
eu e meus amigos vamos ao parque." Lembrou o menino.
"Não me
esqueci." Respondeu a mãe.
Quando acabaram Anne e
John foram para a varanda ler seus livros, Mary foi para o jardim descansar e
Jude foi para seu quarto.
Lá ele ficou pelo resto
do dia, saiu apenas para almoçar com a família, sempre ouvindo Hey Jude.
Eram sete horas quando
Jude desceu as escadas, ele usava uma blusa branca, uma calça jeans preta,
jaqueta de couro e tênis preto, seus cabelos dourados estavam penteados para o
lado, a linha de divisão estava perfeita, nenhum fio fora do lugar.
"Mãe, pai, estou
indo." Avisou o menino parando em frente a eles que estavam jogando banco
imobiliário.
"Certo filho,
tenha cuidado." Disse Anne.
"Tome filho."
Disse John lhe entregando uma nota de cinquenta. "Cuidado."
"Certo, obrigado
pai." Disse Jude. "Estarei em casa ás onze como prometido, qualquer
coisa estou com o celular."
"Nós te
amamos." Disseram Anne, John e Mary em uníssono.
"Eu também amo
vocês." Respondeu Jude abrindo a porta de casa.
Jude colocou os fones
de ouvido, Hey Jude tocava, e então o menino desceu a colina.
Seus amigos, Luca, Alex
e Cris o esperavam ao pé da colina.Os quatro foram conversando até o parque que
ficava no meio da cidadezinha. Eles foram direto para o caixa onde comprar dez
tickets para ir em qualquer brinquedo.
"Aonde vamos
primeiro?" Perguntou Luca.
"Casa mal
assombrada." Respondeu Cris.
"Isso."
Disseram Jude e Alex.
Os quatro foram até a
casa mal assombrada, entregaram os tickets e entraram. Fantasmas, bruxas,
monstros, bichos assustadores, mas todos de mentira, só fizeram os amigos
rirem. Até que chegaram ao labirinto de vidro.
O labirinto era todo
feito de espelhos, os quatro entraram no labirinto rindo. Jude se distraiu com
seu reflexo, uma mecha de cabelo dourado havia caído em seu rosto, quando a
mecha de cabelo voltou ao seu lugar Jude se virou para encontrar o nada no
lugar de seus amigos.
Ele não ouvia seus
risos mais, não via nem sombra deles.
"Eles não irão lhe
escutar mesmo que grite." Disse alguém atrás de Jude que se virou e
encarou um homem de meia idade apoiado numa bengala preta e lustrosa, os
cabelos loiros cainham desajeitados sobre o rosto angelical, seus olhos
vermelhos brilhavam.
"Quem é
você?" Perguntou Jude.
Deve ser só uma
pegadinha. Pensou o garoto.
"Não, não é uma
pegadinha." Disse o homem.
"Como...?"
Murmurou Jude dando um passo para trás.
"Respondendo a sua
outra pergunta e consequentemente a essa que acaba de fazer." Disse o
homem se aproximando de Jude. "Chamam-me de muita coisa: Hades, o Filho do
Alvorecer, Estrela da Manhã, Lúcifer, Diabo... São tantos nomes que ás vezes
até me confundo." Respondeu ele.
"Não pode
ser!" Murmurou Jude.
"Claro que
pode." Riu Hades. "Vou lhe provar. Sua vidinha perfeita está me
irritando, quero dar um jeito nisso." Sorriu ele.
Jude se virou e estava
preste a correr quando parou o espelho a sua frente mostrava um lugar de areia
vermelha, o céu era alaranjado, um grande deserto seguia até uma espécie de
cidade de prata, com grandes arranha-céus, sem casas, como a cidade de Nova
York, mas aquela cidade parecia sombria.
"Muitos pensam que
o inferno é escuro, cheio de fogo e tortura, mas não é assim, como você pode
ver." Disse o Filho do Alvorecer atrás dele. "É um lugar agradável,
sem crimes, todos fazem o que querem ninguém está insatisfeito. Todos têm
aquilo que lhe dá prazer, é essa a minha política, o prazer." Disse ele.
"O que você quer
comigo?" Perguntou Jude sem se virar.
"Eu já lhe disse,
estou irritado com a vida perfeita de sua família, então darei um jeito nisso."
Respondeu Lúcifer. A imagem no espelho recuou até um precipício, nele havia uma
garota de cabelos lisos e negros que iam até o fim de suas costas, sua pele era
morena, ela gritava com uma criatura de asas negras.
Então Lúcifer empurrou
Jude para dentro do espelho.
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