Sequei as lágrimas no rosto quando um guarda veio me pedir para que eu voltasse ao salão para me despedir dos convidados. Me levantei e respirei fundo
Voltei para o salão, fingindo uma felicidade que não existia, com um sorriso aberto para todos, mas fechado dentro da minha alma.
Me despedi de todos os convidados e por fim, restará somente a rainha e o príncipe de Bluestorm, e também meu noivo, para me despedir.
Andei calmamente, parando na frente deles com um sorriso cansado, tentei deixá-lo mais aberto, verdadeiro, mas fracassei.
- Não precisa forçar um sorriso querida. Sei que depois dessa notícia é difícil sorrir. - Disse a rainha tocando meu rosto gentilmente.
Um calor materno vinha dela e me abraçava me confortava.
Me senti feliz imediatamente. Sorri abertamente para ela, dessa vez de verdade.
- Obrigada. Espero reencontrá-la novamente.
- E iremos querida, vamos ser sogra e nora brevemente - Disse ela sorridente.
Inclinei minha cabeça ligeiramente em respeito e ela fez o mesmo, me virei para seu filho, o príncipe e meu noivo.
Ele era bonito, porte atlético, tinha presença, mas uma arrogância emanava dele.
- Obrigada por vir. - Disse me inclinando brevemente para ele.
Ele sorriu e inclinou sua cabeça para mim ao mesmo tempo em que eu levantava a minha, fazendo que sua testa batesse na parte de trás de minha cabeça.
Demos um pulo para trás, ele esfregando a testa e eu a parte de trás da minha cabeça, ambos gemendo de dor.
Nos olhamos e soltamos um disfarçado riso, um pouco da arrogância dele pareceu sumir.
Talvez ele só estivesse triste, confuso, extremamente confuso... Como eu.
Nós acabamos de saber que iremos nos casar.
Nem nos conhecemos!
- Eu que agradeço princesa e, por favor, me desculpe por isso. - Respondeu ele. - Tudo bem. - Disse sorrindo. Levei-os a porta, quando a carruagem já estava longe, fechei a porta e sorri. Pelo menos esse final não foi tão desagradável como toda a festa, pensei. Olhei para o salão, Castiel estava encostado na parede olhando para o chão. - Castiel... - Disse, ele olhou para mim e se foi pela porta que levava a cozinha. Suspirei e subi as escadas, depois resolveria o problema que tinha com Castiel, seja ele qual for. Agora eu tinha algo a resolver com meu pai, algo mais urgente. Quando cheguei ao segundo andar fui direto para o escritório do meu pai, a porta estava entreaberta. Iria bater na porta por educação até que eu escutei vozes no aposento. - Graças aos deuses que você resolveu mandar ela para longe. Eu reconheci aquela voz, era de minha mãe. Eles estavam falando de mim? Fiquei curiosa e cheguei mais perto para ouvir melhor. -Não fale assim, ela ainda é minha filha! - Agora era meu pai, sim, eles estavam falando de mim. - Eu sei que ela é sua filha, mas ela não é a minha filha. Ela é uma bastarda, se o reino soubesse disso iriam querer um Rei melhor, um que não tenha se desgraçado por aí e feito uma filha com qualquer uma e decidido, simplesmente, em transformar a bastarda em princesa. Como? Eu estaria ficando louca? Estaria em um sono profundo? Sonhando? Obviamente um pesadelo. Eu não era filha de Ambre, de minha mãe, da rainha de Lothbrock? Raiva, ódio, incerteza, confusão, tristeza... Eram tantos sentimentos, juntos misturados, eu não sabia ao certo o que estava sentindo, mas sabia que aquilo não era bom. O que eu temia que acontecesse, acabou acontecendo. Explodi.
Entrei no escritório como um furacão, bati a porta atrás de mim com tal força que fez as paredes tremerem. -Filha! Você estava escutando? Atrás da porta? - Pergunta meu pai, pelo olhar dele ela não esperava isso. Olhei para a minha mãe, não, olhei para a Ambre. Pelo olhar dela estava muito assustada. - Eu escutei tudo! Quero que me explique agora! Se eu sou bastarda ou não. - Sim, é isso mesmo, você é filha de outra mulher, fora do casamento de seu pai, uma bastarda que se acha da família real, mas já que você vai ser mandada para longe daqui eu não preciso mais ficar falando para todos que você é minha filha. - Chega! - Gritou meu pai no meio do discurso de Ambre. - Pai, me explique isso, agora! - Disse praticamente berrando. - Filha, você não é filha de Ambre. Mas, você é da família real sim... - Por que você nunca pensou em me contar?! – Perguntei a ele. - Não havia necessidade de você saber – Respondeu ele. - Como não havia necessidade, passei a vida inteira até agora achando que essa mulher era a minha mãe e que não me amava e você acha que eu não tinha necessidade?! Comecei a sentir as lágrimas voltarem aos meus olhos. - Querida, por favor, endenta que foi o melhor para você, eu te amo você sendo bastarda ou não. - Falou meu pai indo me abraçar. -Não chegue perto de mim. - Falei indo em direção a porta, mas parei. - Quem é a minha mãe? - Perguntei ao meu pai. - Ela... Eu não posso te falar. - Eu me virei incrédula. - Pelo menos pode falar onde ela morava? - Eu não sei. - Respondeu ele. - Quando quiser falar quem é ela, sabe aonde eu vou estar. - Falei saindo do aposento.
Fui direto para o meu quarto, desmoronei na cama e chorei mais ainda
Como eles puderam fazer isso comigo?
Queria chamar a ama, mas não queria explicar para ela o porquê de eu estava chorando tanto, nunca chorei tanto na minha vida.
Passei horas chorando na cama, mas eu não podia fazer isso para sempre.
Fiquei pensando o que fazer até que alguém bate a porta.
- Vai embora! - Gritei da cama.
- Eu sei como te ajudar princesa. - Disse uma voz desconhecida de uma mulher.
Fiquei confusa, então levantei da cama
- Para que eu iria precisar de sua ajuda? - Perguntei
- Por que eu sei que é bastarda e sei como de ajudar no que você estava pensando, agora pode por favor abrir a porta antes que eu seja pega aqui fora. - Respondeu a mulher
Eu abri a porta, mesmo se ela não soubesse como me ajudar eu precisava saber o como ela sabia que eu era bastarda.
A mulher que estava em minha porta era morena com cabelos vermelhos e olhos cor de mel combinando com a cor de pele dela.
- Olá princesa, eu sou Cassandra Safarz, sou uma maga aprendiz e eu sei como achar a sua mãe verdadeira.
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