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22.6.13

Tempestade Azul - Capitulo 6

Meu corpo inteiro ficou tenso, virei minha cabeça devagar em direção a voz. Castiel me olhava com aqueles olhos violetas pareciam ainda mais escuros, estava sério como nunca. Meu corpo inteiro tremia.
- Quem é ele? - Perguntou Geoffrey se aproximando de Castiel.
- Er... Ele é um amigo. - Sussurrei.
- Que amigo. - Murmurou Suzane quase para si mesma.
- O que está fazendo aqui? - Perguntei, minha voz falhou.
- Estou procurando por uma garota fujona, mas dessa vez ela ultrapassou todos os limites e foi para longe de mais. Ela é relativamente alta, tem cabelos azuis turquesa, olhos azuis claros e sua pele é branca. - Disse ele passeando os olhos pelas pessoas como se procurasse alguém, quando terminou olhou fixamente para mim.
- Vamos conversar em outro lugar. - Eu disse me virando de costas para ele e fazendo sinal para os irmãos virem comigo.
Reparei pelo canto do olho que Castiel começara a me seguir e que ás vezes lançava olhares estranhos para Geoffrey que respondia do mesmo modo.
Saímos da feira e chegamos as margens da floresta, consegui ver o rio Lósio por entre as árvores.
Virei-me para Castiel para ficarmos cara a cara, lentamente ele cruzou os braços na frente do corpo esperando que eu começasse.
- Eu descobri uma coisa sobre mim, meu pai confirmou. Eu sabia que ele não me dará as resposta de que preciso, por isso decidi procurá-las eu mesma.
- E eles? - Perguntou Castiel apontando para os irmãos com a cabeça.
- Eles são dois ladrões que tentaram se assaltar, mas fracassaram, depois disso foram capturados por um ogro e eu os salvei, como pagamento eles me levarão até o lugar onde encontrarei minhas respostas. - Respondi.
- E onde é esse lugar? - Perguntou Castiel.
- Nowhereland. - Respondi.
- A terra de ladrões?! Você está louca? - Perguntou ele, seus olhos saltavam das órbitas.
- Sim, a terra de ladrões e não, eu não estou louca. - Respondi.
- Como você sabe que lá estão as resposta para o que quer que seja? - Perguntou ele.
- É em Nowhereland que estão todas as verdades das mentiras, os olhos que a viram e os ouvidos que as ouviram. - Repeti as palavras que um dia ouvira meu pai dizer.
- Eu tive uma ideia melhor, vamos voltar para o castelo, você libera esses dois irmãos e eu chamo o médico para ver se você não ficou louca, anda vamos - Disse Castiel me puxando pelo braço.
- Castiel! Eu já disse que não vou, eu não ia conseguir viver sem saber a verdade, Castiel, por favor, acredite em mim, eu vou conseguir as resposta que eu quero, com ou sem você - Falei tirando meu braço do aperto da mão dele.
Ele ficou um tempo me encarando, pensando no que eu disse a ele.
- Eu não vou deixar você fazer isso sozinha. - Falou ele, eu me desanimei, pensei que ele ia estar do meu lado.
- Então adeus Castiel - Respondi tristemente e me virei, mas ele segurou meu braço outra vez.
- Você não me deixou terminar, eu disse que não vou deixar você fazer isso sozinha, então vou ter que ir com você - Falou ele com um sorriso torto no rosto.
Quis pular de felicidade na hora, mas ele poderia usar isso contra mim, ele ia mostrar aquele seu ego grande que ele nutria, não queria isso, então preferi fingir que não importava.
- Tudo bem, mas saiba que eu consigo me virar sozinha com ou sem você. Pode nos acompanhar nessa jornada. – Eu disse - Vamos. Já está quase anoitecendo. - Falei para Castiel e indo para onde os gêmeos estavam e Castiel que ria baixinho atrás de mim.
- Então ele ainda não foi embora. - Falou Geoffrey quando viu que Castiel ainda continuava atrás de mim.
- E não vou por um bom tempo. Você vai ter que se acostumar com a minha linda carinha ladrãozinho. - Falou Castiel com um sorrisinho sínico no rosto.
 Suspirei alto.
- Ele vai com a gente. - Falei de uma vez.
- Sério? - Perguntou Suzane meio alegre de mais.
- Sério mesmo? - Perguntou seu irmão logo atrás, não muito feliz.
- Vocês precisam de alguém para proteger vocês, são muito fracos para se defenderem. - Falou Castiel zombando.
- Saiba que a Misty lutou contra um ogro, que minha irmã é muito boa em caça e que meu físico com certeza é melhor que o seu. - Debochou Geoffrey.
- Quer comparar? Que tal uma queda de braços? – Perguntou Castiel olhando com raiva para Geoffrey que lançou um olhar igual para o outro.
- Os dois parem. Nosso objetivo aqui é chegar a Nowhereland e não saber qual dos dois é mais másculo. – Falei puxando o capuz para baixo.
Seguimos a viagem ao lado do rio, Geoffrey e Castiel sempre se desafiando e eu e Suzane tentando pegar algo para comermos mais tarde.
Ao cair da noite montamos acampamento entre as árvores, mas sempre perto do rio. Assamos dois esquilo e cinco peixes que conseguimos capturar e depois nos deitamos para dormir.
***
Acordei antes que o sol nascesse alguns raios iluminavam a terra e as nuvens levemente.
Peguei uma adaga, meu arco e flecha e entrei na floresta a procura de alimentos.
Voltei com várias frutas e dois esquilos. Limpei os esquilos na água do rio, os embrulhei em grandes folhas de árvores e guardei dentro da minha bolsa de pano, me limpei e fui acordar os outros, no céu o sol começava a nascer preguiçoso.
- A-COR-DEM! - Gritei o mais alto que pude, os três pularam assustados.
Me olharam atordoados, eu estava rindo de suas expressões.
- Não faça mais isso. - Disse Castiel fazendo cara de mau.
- Me obrigue. – Rebati. – Agora não é hora para isso, vamos comer, depois vamos continuar a viagem.
- Certo. – Disse Suzana caminhando até o rio para jogar água no rosto ainda sonolento, Geoffrey a seguiu.
Olhei para Castiel ainda deitado.
- O que foi? – Perguntou ele mal humorado.
- Não vai se levantar, se lavar e vir comer? – Perguntei me sentando na grama em frente à comida.
- Ta, ta, ta. – Respondeu ele se levantando, caminhou até os irmãos no rio e começou a se lavar também.
- O que foi que você descobriu? – Perguntou ele, reparando que eu hesitava, ele continuou. – Eu sou seu amigo há muito tempo Misty. Você sabe que pode confiar em mim e que eu faria qualquer coisa por você. – Continuou ele. – Olhe o que estou fazendo! Invés de levar você para o castelo a favor ou não, eu estou aqui te ajudando nessa maluquice. Então pelo menos, no mínimo me diga o porquê disso! – Disse ele.
Suspirei.
- Está bem. – Eu disse. – Eu descobri que não sou filha de Ambre. Sou filha do rei com outra mulher, mas meu pai insistiu que não diria para mim quem é a minha mãe. – Comecei. – Então uma feiticeira veio até mim e disse que o chefe dela, o mago Darkfire, tenha as resposta que quero, também disse que só posso encontrá-lo em Nowhereland. – Quando olhei para Castiel não consegui distinguir o que seus olhos diziam, era algo desconhecido para mim.
Então, do nada Castiel me puxou para um abraço, algo que nunca fizemos.
Fiquei paralisada, não respondi ao gesto, na verdade eu estava em choque.
- Desse jeito você vai sufocá-la. – Disse Geoffrey vindo até nós.
Castiel me largou achando que Geoffrey dizia a verdade.
- Você devia saber como tratar uma mulher e tem um jeito muito íntimo de dar carinho. – Disse Geoffrey e antes que eu percebesse ele me abraçou por trás e me beijou o pescoço. Graças ao abraço de Castiel minhas defesas ficaram abaixadas.
- Vamos parar com isso, temos muito que andar ainda. – Disse Suzana se aproximando e separando seu irmão de mim. Ela era a minha salvadora.
Olhei para Castiel e a única coisa que ele fez foi começar a andar sem olhar para mim.
Homem doido, culpa dele o Geoffrey ter me abraçado e beijado.
Geoffrey piscou para mim enquanto passava, me fazendo ficar vermelha.
Que isso tipo de coisa não se repita nunca mais.
Passamos o resto da manhã caminhando em silêncio profundo.
Já era por volta de uma hora da tarde quando decidimos parar para almoçar, fizemos uma pequena fogueira e colocamos os dois esquilos presos em gravetos a terra para cozinhar. Castiel e Geoffrey pescaram cinco peixes no total. Castiel ficou com a cara amarrada o almoço inteiro, porque Geoffrey havia pegado um peixe a mais, bem, eu acho que esse foi o motivo.
Voltamos a caminhar em silêncio.
Só conversamos de novo de noite, quando já havíamos montado acampamento.
Tínhamos acabado de jantar, estávamos sentados em volta da fogueira para nos esquentar.
- Onde foi que você e a Misty se conheceram? – Disse Suzana se inclinando sobre Castiel.
- Meu pai trabalha na casa de Misty, e como sempre eu estava lá com meu pai acabei fazendo amizade com ela. – Respondeu ele.
- Você trabalha? – Perguntou Suzana se aproximando mais de Castiel que fingiu não perceber.
- Sim, sou guarda da casa de Misty. – Respondeu ele sem nenhuma emoção.
- Uau, guarda. – Disse Suzana impressionada. – Misty deve ser muito rica. – Disse Suzana para mim.
Eu apenas a encarei por algum tempo, depois desviei o olhar para a fogueira.
- Deixa eu adivinhar: Você é filha de alguém muito rico, super mimada. Ficou brava com o papai rico e decidiu fugir para ser vista como a filha rebelde. – Disse ela venenosa para mim.
- Na verdade não. – Respondi. – Não sou mimada e nem rebelde. – Ouvi Castiel bufar. – Fugir para mim já é rotina.
- Verdade. – Disse Castiel. – Misty não é mimada, mas um pouco rebelde. E fugir é rotina para ela, mas dessa vez ela está para muito longe.
- Hum... – Murmurou Suzana. – Porque você foge tanto assim? – Perguntou.
- Eu e Am... minha mãe discutimos muito, ás vezes fico tão irritada e fujo só para relaxar. – Respondi.
- Então dessa vez deve ter sido sério para você ir para tão longe. – Observou ela.
- Pare Suzana. – Repreendeu Geoffrey.
– O que aconteceu? – Perguntou Suzana ignorando o irmão.
Encerei-a, essa mulher está me irritando.
Fui interrompida antes de começar por uivos de lobos próximos.
Nós quatro nos levantamos em um salto, peguei minha bolsa que estava ao meu lado e saquei minha espada e arco e flecha.
Joguei a espada para Geoffrey que estava mais perto de mim, prendi a aljava nas costas e preparei o arco.
Castiel deu uma faca e uma adaga para Suzana e preparou a espada em frente ao corpo.
Olhei para o céu, a lua estava cheia, o céu coberto de nuvens.
O vento passou zunindo por nós, o fogo diminuiu consideravelmente. Consegui ver três pares de olhos amarelos nos encarando, os encarei de volta.
Um minuto depois os lobos pularam para fora da cobertura das árvores, eram ao todo dezessete que nos cercaram imediatamente.
Mostraram os dentes brancos e finos para nós, apontei a flecha para a testa do que estava em minha frente seus lábios se arregalaram mais quando percebeu meu sutil movimento.

Então ele partiu para cima de mim, os outros lobos seguiram o seu exemplo e pularam para cima de nós.

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