Jude abriu os olhos e viu a
garota de cabelos negros que antes gritava de joelhos a sua frente, o anjo com
quem ela gritava antes estava flutuando ao lado de Lúcifer. Jude se ajoelhou e
olhou para Lúcifer.
“Estou no inferno?”
Perguntou ele.
“Sim.” Respondeu Lúcifer
sorrindo. “Não, não é preciso estar morto para vir até aqui, só precisa de um
empurrãozinho.” Riu Estrela da Manhã.
Jude olhou para a garota a
sua frente.
“Essa é Jenny.” Disse o anjo
ao lado de Estrela da Manhã.
“Vocês dois vão juntos nesse
jogo, não serão adversários, mas sim parceiros.” Disse Lúcifer se aproximando
dos dois. “Boa Sorte!” Sorriu ele e desapareceu com o outro anjo.
Jude se levantou e esticou a mão para a garota
que aceitou a ajuda e se levantou.
“Jenny.” Sussurrou ela sem
emoção.
Os dois olharam um para o
outro por alguns minutos até que ouviram o pio de algum animal acima deles.
Voando em círculos em cima
do precipício havia um urubu, os dois se aproximaram da beira do precipício, lá
embaixo um rio seguia seu curso, a água era vermelha e as pedras pareciam se
mover. Jude apertou os olhos tentando enxergar melhor, e então reparou que não
eram pedras, mas sim corpos de pessoas.
Jenny arfou alto ao
descobrir o que eram as pedras e se afastou.
“Vamos embora.” Disse Jude.
"Como você veio parar
aqui? Ele também achava sua vida perfeita?" Perguntou Jude se incomodando
com o silêncio. Estava no meio de um deserto com um precipício cheio de corpos
e sem saber para onde ir, pelo menos não iria enlouquecer por ficar sozinho.
"Do mesmo jeito que
você, com um empurrãozinho de Lúcifer." Murmurou Jenny. "E não, ele
não acha a minha vida perfeita, sua vida é perfeita?"
"Aos olhos dele
era." Respondeu Jude se virando para ficar cara a cara com Jenny. Seus
olhos eram grandes e negros, a boca carnuda, o rosto e o nariz eram finos, e o
cabelo negro caía sobre seu rosto.
Jenny usava uma calça jeans,
uma blusa vermelha de alças finas e um tênis preto.
"Sei, só aos olhos
dele" Resmungou Jenny baixinho.
“O que quis dizer com isso?”
Perguntou Jude já sabendo a resposta, mas ela não respondeu.
Os dois seguiram em frente
por um longo tempo.
“Ali! Água!! Água!!
Finalmente, estou morrendo de sede.” Gritou Jenny para ninguém em especial e
saiu correndo em direção a um pequeno rio que passava a poucos metros dos dois.
Jude a alcançou e olhou para
a água desconfiado, ela tinha um tom vermelho que lhe pareceu suspeito. Jenny
estava levando as duas mãos em forma de concha cheias daquela água até a boca
quando Jude bateu em suas mãos fazendo a água espirrar para todos os lados.
“Não beba isso, a cor é
muito estranha.” Disse ele.
“E daí? Já comi e bebi
muitas coisas estranhas e ainda estou viva e saudável, isso não irá me fazer
mal.” Rebateu ela irritada, mergulhou as mãos dentro da água e levou a boca
saciando a sede, a garota fez isso cinco vezes até se sentir satisfeita e
levantar sorrindo.
“Vamos continuar.” Disse
ela.
Jude bufou alto e eles
continuaram a caminhar, de repente um banque surdo chegou aos ouvidos de Jude,
o som vinha de trás dele.
No chão desmaiada estava
Jenny, Jude correu até ela.
“A água.” Murmurou o rapaz.
Pegou Jenny no colo e
caminhou a procura de abrigo para os dois. Encontrou uma pequena caverna,
deitou Jenny no chão, tirou sua jaqueta e dobrou-a como um travesseiro e ali
apoiou a cabeça da menina.
Ela estava com febre, mas
Jude não podia fazer nada, não queria deixá-la sozinha e não tinha idéia do que
fazer para fazê-la melhorar.
Ele se encostou na parede da
caverna observando a garota que suava muito e parecia estar tendo pesadelos,
ele acabou caindo no sono.
Ainda estava escuro quando
Jude acordou com o som de passos entrando na caverna, se levantou.
“Quem é você?” Perguntou um
homem de meia idade com uma vela na mão.
“Jude. E quem é você?”
Perguntou o garoto.
“Dino. Sua amiga parece mal,
ela tomou água do rio?” Perguntou Dino.
“Sim.” Respondeu Jude.
“Eu também já tomei daquela água.
Venha comigo até a minha casa que poderei ajudar a sua amiga.” Disse o homem
avançando em direção a Jude. “Não fique com medo rapaz, não tem mais porque
fazer mau para alguém.” Disse o homem.
Jude pegou Jenny no colo e
seguiu o homem para dentro da caverna, depois de andar por vários minutos uma
casa feita na pedra apareceu na frente deles, duas árvores peladas estavam a
frente da casa que tinha duas janelas no segundo andar e no primeiro andar,
onde também tinha uma porta de madeira.
Dino tirou do bolso uma
chave e abriu a porta, entrou e fez sinal para que Jude o seguisse.
A casa tinha teto baixo e
tudo ali era feito de pedra e madeira, um longo corredor se abria em uma espécie
de sala-cozinha-laboratório.
“Coloque-a em cima do sofá
de madeira.” Disse Dino apontando para um sofá, Jude colocou Jenny no sofá, a
garota parecia tremer de frio, mas sua pele estava muito quente.
Dino começou a pegar várias
coisas em vários armários e misturá-las em um recipiente transparente, o líquido
ali dentro uma hora parecia azul, depois verde, depois vermelho, depois roxo,
depois rosa e até que ficou branco.
“Pronto.” Disse o homem. “Vamos,
vamos. Levante a sua amiga e abra a boca dela, ela precisa beber tudo isso.”
Jude assentiu e obedeceu ao
homem.
“Ótimo. Agora pegue-a e me
siga, vamos deixá-la no quarto descansando.” Disse Dino botando o recipiente em cima de uma
mesa, Jude pegou Jenny no colo e seguiu Dino para o segundo andar.
O homem os levou até um
quarto com duas camas e depois saiu. Jude colocou Jenny em uma das camas e se
deitou na outra, ficou observando a menina até ela parar de tremer e parecer
mais saudável e adormeceu.
Jude acordou cedo, Jenny
ainda dormia profundamente, mas a febre já havia baixado e ela parecia bem
melhor.
O garoto desceu as escadas e
encontrou Dino fazendo o café da manhã.
“Acordou cedo menino.
Sente-se e venha tomar café comigo.” Disse o homem.
Jude se sentou com o homem e
tomou café com ele.
“Como vieram parar aqui?”
Perguntou o homem.
Jude olhou para o homem
desconfiado, mas achou que poderia falar, já que o homem tinha o ajudado.
“Lúcifer nos trouxe para o
que parece ser um tipo de teste.” Respondeu.
“Entendo. Ás vezes ele quer
uma diversãozinha.” Disse o homem.
“Deve ser.” Disse Jude.
“Estou morta de fome!” Disse
Jenny se sentando na cadeira ao lado de Jude.
“Está melhor, que bom.” Disse
Jude.
Jenny olhou para ele.
“Obrigada por cuidar de mim.
É meio estranho, eu sabia tudo o que acontecia a minha volta, mas não conseguia
me mover ou falar. Bem que você disse que eu não deveria tomar daquela água.” Disse
ela devorando uns biscoitos.
“Que pena que você não me ouviu.“
Disse Jude, Dino começou a rir do nada enquanto olhava para os dois.
Dino lhes deu duas mochilas com
muita comida, água e remédios, mais lençóis para passarem a noite e eles foram embora.
Enquanto caminhavam para fora
da caverna discutindo para onde deveriam ir, dentro da casa Dino estava sentado
em uma das poltronas de madeira, atrás dele o anjo estava pairando.
“O chefe gostou de sua ajuda,
você fez tudo certo. Parabéns.” Disse o anjo.
“E o que me foi prometido?” Perguntou
Dino.
“Aqui.” Disse o anjo e estalou
os dedos, uma menina muito machucada, quase morta apareceu no chão em frente a Dino.
“Raquel!” Gritou Dino se ajoelhando
ao lado dela, o anjo desapareceu rindo.
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