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27.3.13

Neve - Capítulo 1

Era uma vez um circo não muito normal, era misterioso. Havia uma garota, chamada Julia, ela era diferente, seus olhos cinza como o céu de inverno tinham certo mistério, ela tinha cabelos cor de chama e uma pele pálida como a neve.
Ela era sombria como a morte, o mistério dos olhos dela era quase da mesma intensidade que o mistério daquele circo. Um mistério completava o outro e ao mesmo tempo não completava nada.
Julia era órfã, então o circo a acolheu, ela cresceu naquele lugar misterioso e mágico e nunca foi para além das cercas e tendas do circo. Só conhece o mundo por aquele olhar, o olhar de dentro do circo, mas sempre sonhou em ver o que tem fora daquelas tendas e cercas.
Durante uma das muitas viagens do circo, uma cidade apareceu enterrada na neve, das casas não saia ninguém mesmo com todo o barulho que o circo fazia ao passar.
Toda noite nevava de fininho naquela cidade, era como uma queda de estrelas na calada da noite.
        Quando já estalados em um terreno baldio, todos saíram para anunciar a chegada do circo, mas Julia continuou lá dentro, rodeada das únicas coisas que eram suas, seus preciosos livros.
        O único mundo que ela conhecia além do circo fora criado pelos livros. Por ele, ela vivia varias experiências mágicas.Um barulho dentro da grande tenda a trouxe de volta a maldita realidade, ela ouviu passos apressados e uma respiração irregular, ela teve medo, pois todos haviam saído e só voltariam dali a horas. E tentando ser forte como suas heroínas dos livros, ela saiu do seu esconderijo, que era a tenda dos sonhos.
        Seguiu vagarosa até a grande tenda, se esgueirou pelas sombras e vislumbrou cabelos cor de areia.
         Mais passos dessa vez vindos em sua direção.
        Pegou o canivete do bolso do seu vestido preto rendado e se escondeu nas sombras, mesmo com o cabelo cor de fogo ela era boa em se esconder nas sombras do circo, passou a vida toda se esgueirando de sombra em sombra.
        Quando os cabelos cor de areia passaram na frente dela, ela o pegou por trás e colocou o canivete em seu pescoço, mesmo o invasor sendo alto e homem, ela consegui alcançar o pescoço dele por causa dos anos de treinamento de lutas e armamentos.
        "Calma, não corte a minha garganta, ela é muito preciosa para mim!" – Disse ele, sua voz era rouca e forte.
        "O que você quer aqui?" – Disse ela, sua voz lembrava sinos de uma grande catedral.
        "Eu só queria ver o que tinha aqui dentro!"- Disse ele.
        Ela forçou um pouco mais o canivete na garganta dele e o levou até o meio da tenda, girou em torno de si mesma e andou até a saída.
        "Pronto, já viu! Agora vá embora, se quiser ver o espetáculo venha mais tarde" - disse ela tirando o canivete da garganta dele e dando um chute em sua bunda, fazendo ele cair para fora do circo.
        Quando ele se levantou limpando a calça que estava bem suja, ele se virou de novo para o circo e depois olhou para Julia, se impressionado com sua beleza rara.
        Então ele falou, com um sorrisinho torto no rosto.
        “Se eu voltar mais tarde o que eu ganho?"
        Então ela olhou para ele da cabeça aos pés. Ele era bonito e jovem, quase da mesma idade dela, era esguio e meio forte, estava vestindo uma jaqueta de couro de motoqueiro e uma calça jeans preta, o cabelo cor de areia dele se contrastava nesse amontoado de preto. Quando olhou para aqueles olhos pretos profundos, desviou com medo de se perde neles.
        "A alegria e a magia que o circo proporciona. Agora dê meia volta e volte para onde veio" - respondeu ela voltando para as sombras.
        "Não era isso que eu quis dizer!"- Falou ele quase gritando para chamar a atenção dela.
        Ela continuou andando sem olhar para trás e só respondeu:
        "Cuidado para não se perde"
        "Então você se preocupa comigo, não é?! Não se preocupe, eu não vou me perde, mas quando eu voltar eu vou querer um beijo"
        Ela se virou com um olhar de incrédula, mas ele já havia desaparecido.

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