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2.5.13

Tempestade Azul - Capitulo 3


- Você é o que?! - Perguntei incrédula com que a mulher na minha porta estava falando.
- Sou uma maga aprendiz e eu sei como achar a sua mãe verdadeira, agora você pode, por favor, me deixa entrar? – Disse Cassandra olhando para os lados vendo se ninguém tinha escutado.
Dei espaço para que ela passa-se, logo ela se sentou em frente à minha penteadeira
- Como assim você sabe como encontrar a minha mãe e como sabe que eu sou... - Fiquei com receio de falar a palavra, eu ainda não acreditava que era bastarda, mas agora que outra pessoa fora daquela sala me falou, vi que era a mais pura e cruel verdade.
- Bastarda? Eu venho de vigiando desde pequena, no dia que seu pai apareceu com você no colo eu também vim para esse castelo, mas não queria chamar a atenção então resolvi ser empregada. - Explica Cassandra - Mas vamos voltar ao assunto principal.
- E qual seria a não ser este? - Perguntei achando estranho o fato de ela ter estado me vigiando há tantos anos, e o por que.
- Sua mãe, tem uma pessoa que sabe onde sua mãe estar, não era isso que você estava se perguntando agora? - fala Cassandra olhando fixamente para a minha testa como se estive lendo a minha mente.
- Sua mãe, tem uma pessoa que sabe onde sua mãe estar, não era isso que você estava se perguntando agora? - fala Cassandra olhando fixamente para a minha testa como se estive lendo a minha mente.
Algo me veio a mente, o como eu posso resolver os meus problemas.
- Você é uma maga! Pode saber localizar a minha mãe não é?! - Perguntei feliz por ter pensado isso.
- Maga Em Treinamento, e não, eu não posso fazer isso criança. - Responde Cassandra tanto ênfase no "em treinamento".
- Não me chame de criança, depois temos quase a mesma idade. - Falei frustrada.
- Você deveria me deixar acabar de falar. - Responde Cassandra calmamente para mim.
- Ok, fale então. - Me sentei na cama e esperei ela começar a falar.
- Bom, como eu estava dizendo, eu conheço alguém, um feiticeiro, que pode com certeza saber quem é a sua mãe. - Fala Cassandra deixando a frase no ar.
- Então, quem é ele e aonde posso encontrá-lo?
- O nome dele é Darkfire, o melhor feiticeiro da região e o que me mandou ficar de olho em você.
- Ta, mas aonde eu o encontro? - Pergunto ficando ansiosa.
- Esse é o problema...
- Problema? QUE PROBLEMA?- Explodi, com uma raiva crescente no meu peito.
- Fique calma! Keep Calm!- Disse ela se levantando devagar.
- Kip caume?- Questionei, de onde ela tirou isso?
- Tudo bem, mas continue. - Disse irritada.
- Então, o Darkfire... - Ela respirou profundamente e olhou nos meus olhos - Ele só aparece quando quer, você tem que ir encontrá-lo e só quando ele achar que você está pronta para conhecê-lo é que ele vai aparecer. - Disse ela rapidamente com os olhos fechados.
Fiquei calada, para ser mais exata não sabia como reagir.
Depois de alguns minutos Cassandra abriu devagar um dos olhos, depois se recompôs.
- Onde eu posso encontrá-lo mais rapidamente? - Perguntei calmamente.
- Bem, existe a Nowhereland. Já ouviu falar? - Assenti devagar, era uma cidadezinha onde hereges e bandidos se abrigavam, não havia monarcas e por causa do número de bandidos perigosos ali, nenhum reino tinha coragem de invadir - Então, às vezes ele está por lá, às vezes está em outros lugares que você nem imagina ou até em outro tempo. Não se esqueça, ele é um mago, ele pode fazer tudo.
- Não importa, mesmo que você vá para Nowhereland, se ele não quiser que você o encontre você não vai encontrá-lo. E mais uma coisa, ele muda de aparência, então mesmo que eu te fale como ele estava na última vez que nos vimos, não irá servir de nada. Ele poderá aparecer para você como uma criança chata ou um velho idiota. Você tem que entender que você só vai procurá-lo sem um destino, quem vai encontrar quem é ele e para isso você só vai receber se merecer - Continuou ela.
Isso queria dizer que eu deveria procurar alguém que eu não sabia onde estava; como era, a única coisa que eu sabia é que ele iria decidir quando nós nos encontraríamos.
Céus, isso só pode ser um terrível pesadelo. Ou uma maldição!
- Não é um pesadelo, nem uma maldição. É a mais pura realidade mostrando a verdade.
- Obrigada pela sua ajuda, Cassandra - Disse.
- Você não vai desistir, não é? - Perguntou ela visivelmente nervosa.
- Não, eu não irei. Eu vou fugir. Eu vou começar uma busca por respostas. Pelo meu passado.
- Ótimo! Agora estou indo. Minha missão aqui está completa. - Ela piscou e foi para a minha, ela pulou da janela e eu corri até lá. Só por que acabou sua missão não significava que ela deveria morrer.
Quando cheguei ao umbral da janela, me inclinei para fora receosa, mas consegui vê-la escalando e pulando o grande muro de pedra e sumindo na floresta densa.
Fiquei ali na janela por um tempo pensando como eu iria achar esse feiticeiro, até que eu notei algo, a janela do meu quarto não ficava tão longe do chão, e escalar o muro até podia ser meio difícil, mas ainda não era impossível.
Eu podia fugir. Mas antes eu tenho que fazer uma coisa, ou duas.
Corri até o meu baú e de lá tirei um mapa antigo, procurei por Nowhereland e ele ficava entre dois reinos, o meu e o de Bluestorm.
Calculei e daria umas duas semanas de viagem se eu fosse de cavalo, precisaria de muita comida e armas. Iria amanha, no meio da madrugada, assim ninguém iria me ver ir, não poderia ir agora porque estava amanhecendo e alguém iria me ver se eu fosse.
Não podia deixar alguém me ver.
Fui pra cama fazendo uma lista mental do que iria precisar
Quando acordei a ama já estava em meu quarto tentando me acordar.
- Pronto, acordei - Disse me apoiando nos cotovelos, bocejei e a ama riu. - O que foi?
- Seus cabelos estão bagunçados, parece que uma tempestade passou por sua cabeça.
- Tenha o prazer de conhecer a tempestade azul. - Disse brincalhona e a ama riu.
Ela se virou para encontrar uma roupa para mim na arca.
Uma saudade imensa se instalou em meu peito, como eu sentiria saudade de acordar todo dia vendo o rosto feliz dela.
Levantei-me e andei até a ama, quando ela se virou aquele segurava um vestido amarelo-claro, a abracei forte.
Ela ficou sem reação, mas depois retribuiu meu abraço. Depois de alguns minutos desfazemos o abraço e nos olhamos.
Como eu a amava.
- O que foi Alteza? - Perguntou ela com seu doce sorriso, colocou o vestido gentilmente na cama e me virou para começar a tirar a camisola.
- Só acordei com uma vontade de ser afetiva. Podemos dizer que a noite de ontem me fez ficar emotiva.
- Entendo - Disse simplesmente.
Ama me ajudou a colocar o vestido e arrumar meus cabelos. Deixei-a no quarto e caminhei até as escadas.
Consegui ouvir a conversa animada entre Ambre e seu filho na sala de refeições. Respirei profundamente e desci as escadas com a cabeça erguida.
Caminhei silenciosa até a sala de refeições, Ambre se calou a me ver, meu pai ficou tenso e meu irmão me olhou com raiva e ódio, pelo menos com ele o clima estava normal.
Caminhei até meu lugar, ao lado do meu pai e em frente à Ambre, sentei-me e as empregadas vieram me servir rapidamente.
Agi normalmente, sempre fiquei calada durante as refeições para que não fosse maltratada pela minha madrasta, fugindo das provocações do meu irmão e fingir que não reparava a indiferença de meu pai,
- Querido, você já acabou a refeição, poderia se retirar. Eu, seu pai e sua irmã precisamos conversar a sós. - Disse Ambre.
- Tudo bem, eu tenho que ir ver como estão os novos canhões. - Nathaniel se levantou, fez uma reverencia ao nosso pai e a Ambre e se foi.
- Vocês também, sumam. - Disse Ambre rispidamente para as empregadas.
Quando estávamos sozinhos olhei para eles.
Eles olhavam para mim com olhares irreconhecíveis.
- Como você está querida?- Perguntou meu pai.
- Como qualquer pessoa está quando numa mesma noite descobre que está noiva e que é uma bastarda. - Cuspi as palavras.
- Você deveria estar feliz garota. No mínimo eu a criei. - Disse Ambre.
- Você me criou? Quem me criou foi a Ama. Você criou Nathaniel. Você foi uma mãe para ele, você deu amor para ele. Eu sempre tentei te impressionar, sempre tentei fazê-la me amar. Mas claro você não amaria a filha bastarda do seu marido.
- Misty, não fale assim com a sua mãe. - Disse meu pai com raiva.
- Mãe? Cadê a minha mãe? Não estou vendo, na verdade não a reconheceria mesmo se ela estivesse na minha frente. Por quê? Por que meu pai me escondeu que eu não era filha desde sempre. - Explodi - Você acha que eu ia tratar essa mulher bem? Ela sempre me tratou mau. Sempre me odiou, sempre agiu comigo como se eu fosse apenas um mendigo. Eu nunca gostei dela, mas reprimia esse sentimento por que ela era a minha 'mãe'.
"Mas agora está explicado o porque desse comportamento, o por que da sua indiferença com a sua 'filha', claro eu não sou a filha dela. Para ela eu só estou roubando o lugar de direito do filho dela."
- Misty, pare!- Gritou meu pai se levantando.
- Não, eu sempre fiquei calada! Só por que ouviu a verdade ficou revoltado. Você sabe que isso é a mais pura verdade, sempre aconteceu na frente de seus olhos, mas você fingia não ver! - Gritei me levantando também.
- Eu fui muito boa, fui o melhor que pude para alguém como você! - Gritou Ambre.
Bufei alto, andei até a parede e peguei um vaso, peguei-o e me virei, joguei-o na parede do outro lado da sala, perto de Ambre.
Ela pulou de susto e por pouco o vaso não foi em sua cara de fuinha.
- Você viu o que a SUA filha acabou de fazer?- Gritou Ambre chegando mais perto de meu pai a procura de apoio.
- Chega Misty. Pare! Agora você passou dos limites. - Gritou meu pai com o tom de rei.
- Chega? Parar? Eu nem comecei ainda! Você sempre passou do limite da indiferença e ela sempre passou do limite da má atuação. Não poderia no mínimo atuar melhor, sua cobra? - Gritei, minha garganta doía.
- Eu sempre tentei ao máximo, eu sempre tentei. - Disse Ambre chegando perto de mim. - Todos os dias eu acordava e dizia que tentaria ser uma mãe para você, mas era só olhar para esses seus cabelos, para seus olhos, para você que eu me lembrava que você era apenas uma bastarda. - Ela disse se posicionando na minha frente.
- E eu sempre tentava ser uma filha melhor, todos os dias antes de dormir repassava na minha mente tudo o que Nathaniel tinha feito para tentar imitá-lo só para receber um: Parabéns, Obrigado, Que lindo. Mas o que eu recebia era indiferença. Você é uma pessoa horrorosa, se sabia que não era minha mãe teria a decência de pedir ao meu pai para não me ver, teria a decência, os dois, de me contar. Mas não eu precisei ouvir atrás de uma porta a verdade, eu os odeio. - Disse, abaixando a voz para que minha garganta parasse de doer.
De repente um estalo ecoou pela sala, meu rosto virou e minha bochecha ardeu.
Ambre havia batido no meu rosto.
Quando iria retribuir o gesto dela, meu pai pegou o meu pulso, olhei-o incrédula. Desvencilhei-me do seu aperto e corri para fora da sala com lágrimas no rosto.
Vi pelo canto do olha Ambre cair nos braços do meu pai, ela parecia chorar, mas eu não acreditava que aquilo fosse verdade.
Corri até o estábulo, fui até o curral do meu cavalo e entrei.
O garanhão preto estava deitado no feno, quando entrei, ele levantou a cabeça e olhou-me.
Sentei-me ao lado dele e comecei a acariciá-lo
Ele deitou a grande cabeça sobre as patas, seus olhos não largavam meu rosto marcado de lágrimas.
- Amanhã eu vou embora desse inferno! - murmurei.
Alguém entrou no estábulo, fiquei tensa.
Para minha surpresa, Castiel apareceu.
- Misty, por que você está chorando? - Perguntou Castiel preocupado.
Então as lágrimas começaram a cair pesadas dos meus olhos, Castiel entrou no curral.
- Sai daqui, me deixe sozinha. - Disse.
- Misty, você está chorando. Não vou deixá-la sozinha. O que aconteceu? - Perguntou ele se agachando.
- Saí - Gritei.
- O que está acontecendo aqui?- A voz veio de trás de Castiel, ele se levantou e olhou para Nathaniel que entrava no curral, ele me olhou e seus olhos se arregalaram. - O que você fez? - Perguntou ele.
- Não é o que você está pensando! - Disse Castiel.
- É o que todos falam. - Disse Nathaniel e socou o rosto de Castiel.

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