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30.5.13

Tempestade Azul - Capítulo 5

Cavalguei por horas, seguindo sempre o curso do Rio Lósio, sua nascente era em Lothbrock atravessava Bluestorm onde encontrava a saída para o mar Tronst, mas no meio do caminho alimentava as terras de Nowhereland.
No meio da tarde parei em uma clareira onde deixei o cavalo pastando, andei pela floresta procurando por frutas, recolhi várias e voltei para o rio.
Tirei meus sapatos e sentei-me na beira do rio com os pés na água gelada, comi algumas frutas e descansei um pouco. Depois de algum tempo guardei o que restou das frutas na sacola de pano e montei o cavalo novamente.
Parei de cavalgar quando o céu já estava escuro, prendi o cavalo em uma arvore e me deitei ao lado do rio. As estrelas brilhavam intensamente no céu escuro, era uma visão linda. E assim adormeci.
***
Um barulho de passos cautelosos sobre as folhas me acordou, o céu estava claro.
Virei-me em direção ao barulho, dois homens estavam desamarrando meu cavalo, um deles carregava minha sacola. Levantei-me em um salto, tirei as adagas do sinto e corri até eles, deixei um profundo machucado no braço do homem que segurava a minha sacola fazendo-o gritar como uma mulher e deixando minha sacola cair no chão. A peguei rapidamente e passei por cima da cabeça enquanto o homem se jogava no chão segurando o braço ferido.
Pulei em cima do segundo antes que se virasse fazendo-o cambalear para frente. Bati meu joelho contra o dele fazendo-o cair no chão, cortei seu braço em vários pontos, até que senti um soco no meio das costas, ofeguei e pulei me levantando.
Virei-me para ficar de frente para o meu agressor, que para minha surpresa não era um homem, mas uma mulher.
- Você é uma mulher?! – Disse Pasma.
- Todos me confundem com um homem, talvez seja por causa do cabelo. – Respondeu ela passando uma das mãos no cabelo curto.
- Cale a boca e pegue essa garota. – Gemeu o homem.
A mulher assentiu e avançou sobre mim, pulei para o lado fazendo-a cambalear depois avancei de novo ferindo as costas dela. Então o homem pulou sobre mim me fazendo cair em cima da mulher que gritou de dor com o impacto, em seguida nós três caímos no chão.
Puxei outra adaga e cortei a barriga do homem fazendo-o se virar em cima de mim e cair ao meu lado, girei para o outro lado e me levantei rapidamente.
- Respondam as minhas perguntas senão eu os matarei sem piedade. – Falei, eles se entreolharam e depois assentiram em silêncio – Ótimo. Eu não tenho dinheiro, mas darei algum a vocês se me ajudarem. Devem conhecer o caminho para Nowhereland, certo? – Perguntei.
- Sim. – Respondeu o homem.
- Então me levem até lá. Se me ajudarem eu os darei um bom pagamento. – Disse.
- Como teremos certeza que não está mentindo? – Perguntou a mulher se levantando.
- Vocês têm a minha palavra, e quando dou a minha palavra não volto atrás. E nem pensem em duvidar disso. – Respondi.
- Tudo bem. – Respondeu o homem.
- O que? Você vai aceitar assim fácil? Nem conhecemos essa mulher! – Disse a mulher com certa irritação na voz.
- De qualquer modo eu quero ver aonde isso vai dar. Ei qual é o seu nome? – Perguntou o homem para mim.
- Misty. E vocês como se chamam? – Perguntei.
- Me chamo Geoffrey e ela se chama Suzane. Somos irmãos. – Respondeu Geoffrey.
- Dá para reparar. Gêmeos, certo? – Eu disse.
- Sim. – Respondeu ele se levantando e ajudando a irmã a se levantar também.
Geoffrey era alto, forte e moreno, seus cabelos eram compridos até os ombros e loiros, no sol pareciam receber uma coloração meio esbranquiçada, seus olhos eram negros como o céu noturno. Suzane era a versão feminina, mais baixa e de cabelos curtos do irmão, apenas seus olhos cor de mel eram diferente.
- Desculpe por ter machucado vocês, mas da próxima vez que forem roubar alguém tratem de serem menos barulhentos. – Disse me virando. – Se limpem no rio, vou buscar comida para nós. – Disse pegando o arco e flecha e algumas facas de atirar.
Caminhei pela floresta cautelosamente observando e ouvindo tudo. No fim tinha pegado uma dúzia de amoras, bananas e maçãs, e um coelho.
Voltei para o rio sorridente a tempo de ver um ogro pegar Geoffrey e Suzane pelas pernas e levá-los floresta a dentro, os dois irmãos se debatiam nas mãos do ogro que parecia não perceber.
Coloquei o coelho dentro da bolsa junto com as frutas, corri até meu cavalo e o desamarrei, montei-o e corremos atrás do ogro que quando percebeu nossa aproximação começou a correr.
- Merda, com tanta coisa para acontecer, tinha que acontecer logo isso. - Falei ainda correndo atrás do ogro. Quem diria que existisse mesmo um ogro nessas florestas, e agora ele estava roubando o meu mapa e eu não vou deixar.
O ogro entrou em uma caverna, mas quando eu estava entrando meu cavalo parou, ele estava com medo.
- Então fique aqui. - Falei e o prendi em um galho de árvore, fácil de tirar para o caso de temos que fugir rapidamente.
Entrei cautelosamente na caverna, até que cheguei ao coração dela.
Estava cheia de velas, de um lado estava o ogro e um gigante caldeirão, e do outro estava uma gaiola, onde estava Geoffrey e Suzane.
Eba! Achei meu mapa!
Andei de fininho até a gaiola. Geoffrey estava sentado no fundo e Suzane estava andando de um lado para o outro.
Ao percebe minha presença Geoffrey se levantou de onde estava e Suzane veio para mais perto das grades perto de mim.
- É melhor você nos tirar daqui, porque estamos nessa por sua causa. – Murmurou Suzane áspera.
- Ótimo jeito de agradecer por eu te vindo salvar vocês. – Respondi sarcástica.
- Não ligue para ela, só nos tire daqui. - Falou Geoffrey chegando mais perto.
Andei até a fechadura e peguei uma adaga, enfiei a na fechadura e tentei usá-la como chave. Acho que minhas fugas do castelo usando adagas para abrir o portão para a floresta para cavalgar serviu de alguma coisa.
Mas quando eu consegui abri ele fez um barulho alto suficiente para fazer o ogro se virar e ver o que estava acontecendo.
-Mas o que... O que você quer com o meu jantar? - Gritou o ogro vindo na nossa direção.
- Corram! - Falei olhando em volta para ver o que eu podia usar contra ele, até que vim uma corrente enorme e corri até ela.
- O que você está fazendo? - Grita Geoffrey indo para frente da caverna.
- Eu vou atrasá-lo! - Gritei de volta pegando as correntes e colocando elas no caminho do ogro, e ele fez o que eu queria, tropeçou e caiu.
Então eu corri para a saída.
Geoffrey e Suzane estavam já na saída esperando por mim, não achei que eles iam me esperar, isso mostra que estão confiando em mim. Que bom.
Eu subi no meu cavalo e falei para eles subirem também.
- Tem certeza que vai caber todos no cavalo? – Perguntou Suzane.
- Só há um jeito de saber. – Respondi.
Percebendo que o ogro se aproximava subiu no cavalo e saímos correndo para o mais longe que podemos, até chegarmos a um vilarejo.
Cavalgamos até a praça central do vilarejo, as pessoas andavam de uma lado para o outro sem prestar atenção em nós. Descemos do cavalo e nós sentamos em um banco de madeira da praça.
- Obrigado por salvar nossas vidas. – Resmungou Suzane.
- Nada. – Disse sorrindo. – Acho que essa viagem vai ser divertida.
- Concordo. – Disse Geoffrey.
- Bem, vocês devem estar com fome. Peguei umas frutas e um coelho. Estão vendo aquele carvalho ali? – Disse apontando para um grande carvalho do outro lado da praça, mas bem afastado. Eles assentiram. – Um de vocês vai conseguir lenha e o outro água, estarei esperando vocês ali. – Disse me levantando e pegando as rédeas do cavalo.
- E você? Vai fazer o que? – Perguntou Suzane se levantado.
- Vou esperá-los. – Respondi, ela cruzou os braços. – E preparar o coelho para comermos. E vocês precisam aprender a roubar direito. Sejam cautelosos. – Disse, puxei o cavalo e virei às costas para eles. Quando me sentei com as costas apoiadas no carvalho eles já não estavam mais na praça. 
Tirei as frutas e o coelho de dentro da bolsa e comecei a limpar o coelho, primeiro tirando os pelos com a adaga, depois fiz um buraco na parte inferior da barriga e tirei os órgãos e joguei no meio dos arbustos, peguei uma faca e fiz um corte profundo no meio da coluna e devagar fui quebrando as costelas até que a coluna estivesse solta então a substitui por um galho de árvore grande.
Depois me encostei-me à árvore e esperei por eles.
- Cheguei. – Disse uma voz rouca na minha frente.
Geoffrey colocou a lenha na minha frente e se sentou ao meu lado. Pegamos a lenha e as juntamos e fizemos fogo. Geoffrey me ajudou a fazer um suporte para colocar o galho onde o coelho estava preso em cima do fogo. Quando acabamos nos encostamos de novo no carvalho.
- Cadê a sua irmã? – Perguntei.
- Sei lá. Espero que volte logo com a água. – Respondeu ele.
- E voltei. – Respondeu Suzane atrás de nós.
Ela arrastou um balde de água para nossa frente e depois voltou para trás de nós e trouxe outro balde. Quando acabou passou o braço sobre a testa tirando o suor e sorriu. Sorrimos de volta para ela.
Limpei minhas mãos sujas de sangue e meu rosto sujo de terra, Geoffrey limpou as mãos e Suzane se sentou ao lado do irmão.
Ficamos assim em silêncio até o coelho ficar pronto. Depois comemos tudo rapidamente e nos deitamos na grama.
- Então você quer ir para Nowhereland? Por quê? – Perguntou Suzane.
- Preciso encontrar uma pessoa, ela vai me ajudar a resolver uns problemas. – Respondi.
- E quem seria essa pessoa? – Perguntou Suzane.
- Isso, eu quero manter em segredo. Pode ser? – Respondi áspera.
Suzane resmungou algo que não entendi e se calou.
- Não ligue para ela. É fofoqueira. – Disse Geoffrey me fazendo rir.
Ficamos ali por uma hora, então nos levantamos e voltamos para a praça.
- Vamos embora, temos muito que andar. – Disse, eles assentiram.
Um homem passou correndo por nós e subiu em um dos bancos da praça.
- Hey! Todos! Prestem atenção. A princesa de Lothbrock sumiu ninguém sabe se ela foi raptada ou fugiu. A maioria acha que foi raptada por causa do anúncio de seu casamento. O rei Barton está oferecendo uma recompensa para quem trazer sua filha viva para o palácio. – Gritou o homem, uma multidão se reuniu rapidamente a sua frente, alguns homens entraram em casa rapidamente já se armando.
Claro, nenhum deles perderia a chance de ganhar um grande saco de moedas de ouro. Um arrepio passou pelo meu corpo, a viagem seria muito mais difícil agora, eu teria que ser muito cuidadosa.
- Vamos. – Eu disse para os irmãos e andei apressadamente em direção ao Rio Lósio que ficava a algumas casas da praça.
No meio do caminho estava tendo uma feira. Como eu não tinha nada para esconder o meu cabelo azul peguei um capuz de uma das estantes da feira e coloquei o rapidamente. Ninguém percebeu o seu sumiço.
- De onde você tirou isso? - Perguntou Suzane ao percebe o capuz.
- Estou mostrando que sei roubar melhor que vocês dois. – Brinquei.
- Não precisava joga na nossa cara, afinal, você cresceu nas ruas? Para aprender a rouba tão bem deve estar anos fazendo isso. - Falou Geoffrey.
- Não, impossível ela está há tanto tempo assim, não percebeu as roupas de primeira e as armas muito bem forjadas? Ela deve ser filha de um fazendeiro, mas fugiu de casa, acertei? - Perguntou Suzane se virando para mim.
Pensando bem, ela chegou bem perto da verdade. O máximo que pode fazer foi concordar, melhor filha de um fazendeiro qualquer do que princesa procurada que vale milhões.
- É, é isso, mas eu não fugi meu pai que me mandou...

- Que coisa feia, mentindo para os seus novos amiguinhos. - Sussurrou alguém no meu ouvido para que só eu escutasse, e quando eu me virei todas as emoções que eu senti naquele dia que deixei o castelo voltaram, porque a pessoa atrás de mim era ninguém menos que Castiel.

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