Cavalguei por horas, seguindo sempre o curso do Rio
Lósio, sua nascente era em Lothbrock atravessava Bluestorm
onde encontrava a saída para o mar Tronst, mas no meio do caminho alimentava as
terras de Nowhereland.
No meio da tarde parei em uma clareira
onde deixei o cavalo pastando, andei pela floresta procurando por frutas,
recolhi várias e voltei para o rio.
Tirei meus sapatos e sentei-me na beira
do rio com os pés na água gelada, comi algumas frutas e descansei um pouco.
Depois de algum tempo guardei o que restou das frutas na sacola de pano e
montei o cavalo novamente.
Parei de cavalgar quando o céu já estava
escuro, prendi o cavalo em uma arvore e me deitei ao lado do rio. As estrelas
brilhavam intensamente no céu escuro, era uma visão linda. E assim adormeci.
***
Um barulho de passos cautelosos sobre as
folhas me acordou, o céu estava claro.
Virei-me em direção ao barulho, dois
homens estavam desamarrando meu cavalo, um deles carregava minha sacola. Levantei-me
em um salto, tirei as adagas do sinto e corri até eles, deixei um profundo
machucado no braço do homem que segurava a minha sacola fazendo-o gritar como
uma mulher e deixando minha sacola cair no chão. A peguei rapidamente e passei
por cima da cabeça enquanto o homem se jogava no chão segurando o braço ferido.
Pulei em cima do segundo antes que se virasse
fazendo-o cambalear para frente. Bati meu joelho contra o dele fazendo-o cair
no chão, cortei seu braço em vários pontos, até que senti um soco no meio das
costas, ofeguei e pulei me levantando.
Virei-me para ficar de frente para o meu
agressor, que para minha surpresa não era um homem, mas uma mulher.
- Você é uma mulher?! – Disse Pasma.
- Todos me confundem com um homem,
talvez seja por causa do cabelo. – Respondeu ela passando uma das mãos no
cabelo curto.
- Cale a boca e pegue essa garota. –
Gemeu o homem.
A mulher assentiu e avançou sobre mim,
pulei para o lado fazendo-a cambalear depois avancei de novo ferindo as costas
dela. Então o homem pulou sobre mim me fazendo cair em cima da mulher que
gritou de dor com o impacto, em seguida nós três caímos no chão.
Puxei outra adaga e cortei a barriga do
homem fazendo-o se virar em cima de mim e cair ao meu lado, girei para o outro
lado e me levantei rapidamente.
- Respondam as minhas perguntas senão eu
os matarei sem piedade. – Falei, eles se entreolharam e depois assentiram em
silêncio – Ótimo. Eu não tenho dinheiro, mas darei algum a vocês se me
ajudarem. Devem conhecer o caminho para Nowhereland, certo? – Perguntei.
- Sim. – Respondeu o homem.
- Então me levem até lá. Se me ajudarem
eu os darei um bom pagamento. – Disse.
- Como teremos certeza que não está
mentindo? – Perguntou a mulher se levantando.
- Vocês têm a minha palavra, e quando
dou a minha palavra não volto atrás. E nem pensem em duvidar disso. – Respondi.
- Tudo bem. – Respondeu o homem.
- O que? Você vai aceitar assim fácil?
Nem conhecemos essa mulher! – Disse a mulher com certa irritação na voz.
- De qualquer modo eu quero ver aonde
isso vai dar. Ei qual é o seu nome? – Perguntou o homem para mim.
- Misty. E vocês como se chamam? –
Perguntei.
- Me chamo Geoffrey e ela se chama
Suzane. Somos irmãos. – Respondeu Geoffrey.
- Dá para reparar. Gêmeos, certo? – Eu
disse.
- Sim. – Respondeu ele se levantando e
ajudando a irmã a se levantar também.
Geoffrey era alto, forte e moreno, seus
cabelos eram compridos até os ombros e loiros, no sol pareciam receber uma coloração
meio esbranquiçada, seus olhos eram negros como o céu noturno. Suzane era a
versão feminina, mais baixa e de cabelos curtos do irmão, apenas seus olhos cor
de mel eram diferente.
- Desculpe por ter machucado vocês, mas
da próxima vez que forem roubar alguém tratem de serem menos barulhentos. –
Disse me virando. – Se limpem no rio, vou buscar comida para nós. – Disse
pegando o arco e flecha e algumas facas de atirar.
Caminhei pela floresta cautelosamente
observando e ouvindo tudo. No fim tinha pegado uma dúzia de amoras, bananas e
maçãs, e um coelho.
Voltei para o rio sorridente a tempo de
ver um ogro pegar Geoffrey e Suzane pelas pernas e levá-los floresta a dentro,
os dois irmãos se debatiam nas mãos do ogro que parecia não perceber.
Coloquei o coelho dentro da bolsa junto
com as frutas, corri até meu cavalo e o desamarrei, montei-o e corremos atrás
do ogro que quando percebeu nossa aproximação começou a correr.
- Merda, com tanta coisa para acontecer,
tinha que acontecer logo isso. - Falei ainda correndo atrás do ogro. Quem diria
que existisse mesmo um ogro nessas florestas, e agora ele estava roubando o meu
mapa e eu não vou deixar.
O ogro entrou em uma caverna, mas quando eu
estava entrando meu cavalo parou, ele estava com medo.
- Então fique aqui. - Falei e o prendi em um
galho de árvore, fácil de tirar para o caso de temos que fugir rapidamente.
Entrei cautelosamente na caverna, até que
cheguei ao coração dela.
Estava cheia de velas, de um
lado estava o ogro e um gigante caldeirão, e do outro estava uma gaiola, onde
estava Geoffrey e Suzane.
Eba! Achei meu mapa!
Andei de fininho até a gaiola. Geoffrey
estava sentado no fundo e Suzane estava andando de um lado para o outro.
Ao percebe minha presença Geoffrey se
levantou de onde estava e Suzane veio para mais perto das grades perto de mim.
- É melhor você nos tirar daqui, porque
estamos nessa por sua causa. – Murmurou Suzane áspera.
- Ótimo jeito de agradecer por eu te vindo
salvar vocês. – Respondi sarcástica.
- Não ligue para ela, só nos
tire daqui. - Falou Geoffrey chegando mais perto.
Andei até a fechadura e
peguei uma adaga, enfiei a na fechadura e tentei usá-la como chave. Acho que minhas
fugas do castelo usando adagas para abrir o portão para a floresta para cavalgar
serviu de alguma coisa.
Mas quando eu
consegui abri ele fez um barulho alto suficiente para fazer o ogro se virar e
ver o que estava acontecendo.
-Mas
o que... O que você quer com o meu jantar? - Gritou o ogro vindo na nossa
direção.
- Corram! - Falei olhando em volta para ver o
que eu podia usar contra ele, até que vim uma corrente enorme e corri até ela.
- O que você está fazendo? - Grita Geoffrey
indo para frente da caverna.
- Eu vou atrasá-lo! - Gritei de volta pegando
as correntes e colocando elas no caminho do ogro, e ele fez o que eu queria,
tropeçou e caiu.
Então eu corri para a saída.
Geoffrey e Suzane estavam já na saída
esperando por mim, não achei que eles iam me esperar, isso mostra que estão
confiando em mim. Que
bom.
Eu subi no meu cavalo e falei para eles
subirem também.
- Tem certeza que vai caber todos no cavalo?
– Perguntou Suzane.
- Só há um jeito de saber. –
Respondi.
Percebendo que o ogro se
aproximava subiu no cavalo e saímos correndo para o mais longe que podemos, até
chegarmos a um vilarejo.
Cavalgamos até a praça central do
vilarejo, as pessoas andavam de uma lado para o outro sem prestar atenção em nós. Descemos do
cavalo e nós sentamos em um banco de madeira da praça.
- Obrigado por salvar nossas vidas. –
Resmungou Suzane.
- Nada. – Disse sorrindo. – Acho que
essa viagem vai ser divertida.
- Concordo. – Disse Geoffrey.
- Bem, vocês devem estar com fome.
Peguei umas frutas e um coelho. Estão vendo aquele carvalho ali? – Disse
apontando para um grande carvalho do outro lado da praça, mas bem afastado. Eles
assentiram. – Um de vocês vai conseguir lenha e o outro água, estarei esperando
vocês ali. – Disse me levantando e pegando as rédeas do cavalo.
- E você? Vai fazer o que? – Perguntou
Suzane se levantado.
- Vou esperá-los. – Respondi, ela cruzou
os braços. – E preparar o coelho para comermos. E vocês precisam aprender a
roubar direito. Sejam cautelosos. – Disse, puxei o cavalo e virei às costas
para eles. Quando me sentei com as costas apoiadas no carvalho eles já não
estavam mais na praça.
Tirei as frutas e o coelho de dentro da
bolsa e comecei a limpar o coelho, primeiro tirando os pelos com a adaga,
depois fiz um buraco na parte inferior da barriga e tirei os órgãos e joguei no
meio dos arbustos, peguei uma faca e fiz um corte profundo no meio da coluna e
devagar fui quebrando as costelas até que a coluna estivesse solta então a
substitui por um galho de árvore grande.
Depois me encostei-me à árvore e esperei
por eles.
- Cheguei. – Disse uma voz rouca na
minha frente.
Geoffrey colocou a lenha na minha frente
e se sentou ao meu lado. Pegamos a lenha e as juntamos e fizemos fogo. Geoffrey
me ajudou a fazer um suporte para colocar o galho onde o coelho estava preso em
cima do fogo. Quando acabamos nos encostamos de novo no carvalho.
- Cadê a sua irmã? – Perguntei.
- Sei lá. Espero que volte logo com a
água. – Respondeu ele.
- E voltei. – Respondeu Suzane atrás de
nós.
Ela arrastou um balde de água para nossa
frente e depois voltou para trás de nós e trouxe outro balde. Quando acabou
passou o braço sobre a testa tirando o suor e sorriu. Sorrimos de volta para
ela.
Limpei minhas mãos sujas de sangue e meu
rosto sujo de terra, Geoffrey limpou as mãos e Suzane se sentou ao lado do
irmão.
Ficamos assim em silêncio até o coelho
ficar pronto. Depois comemos tudo rapidamente e nos deitamos na grama.
- Então você quer ir para Nowhereland?
Por quê? – Perguntou Suzane.
- Preciso encontrar uma pessoa, ela vai
me ajudar a resolver uns problemas. – Respondi.
- E quem seria essa pessoa? – Perguntou
Suzane.
- Isso, eu quero manter em segredo. Pode ser? –
Respondi áspera.
Suzane resmungou algo que não entendi e
se calou.
- Não ligue para ela. É fofoqueira. –
Disse Geoffrey me fazendo rir.
Ficamos ali por uma hora, então nos
levantamos e voltamos para a praça.
- Vamos embora, temos muito que andar. –
Disse, eles assentiram.
Um homem passou correndo por nós e subiu
em um dos bancos da praça.
- Hey! Todos! Prestem atenção. A
princesa de Lothbrock sumiu ninguém sabe se ela foi raptada ou fugiu. A maioria
acha que foi raptada por causa do anúncio de seu casamento. O rei Barton está
oferecendo uma recompensa para quem trazer sua filha viva para o palácio. –
Gritou o homem, uma multidão se reuniu rapidamente a sua frente, alguns homens
entraram em casa rapidamente já se armando.
Claro, nenhum deles perderia a chance de
ganhar um grande saco de moedas de ouro. Um arrepio passou pelo meu corpo, a
viagem seria muito mais difícil agora, eu teria que ser muito cuidadosa.
- Vamos. – Eu disse para os irmãos e
andei apressadamente em direção ao Rio Lósio que ficava a algumas casas da
praça.
No meio do caminho
estava tendo uma feira. Como eu não tinha nada para esconder o meu cabelo azul
peguei um capuz de uma das estantes da feira e coloquei o rapidamente. Ninguém
percebeu o seu sumiço.
- De onde você tirou isso? - Perguntou Suzane
ao percebe o capuz.
- Estou mostrando que sei roubar melhor que
vocês dois. – Brinquei.
- Não precisava joga na
nossa cara, afinal, você cresceu nas ruas? Para aprender a rouba tão bem deve
estar anos fazendo isso. - Falou Geoffrey.
- Não, impossível ela está há tanto
tempo assim, não percebeu as roupas de primeira e as armas muito bem forjadas?
Ela deve ser filha de um fazendeiro, mas fugiu de casa, acertei? - Perguntou
Suzane se virando para mim.
Pensando bem, ela chegou bem perto da
verdade. O máximo que pode fazer foi concordar, melhor filha de um fazendeiro
qualquer do que princesa procurada que vale milhões.
- É, é isso, mas eu não fugi meu pai que
me mandou...
- Que coisa feia, mentindo para os seus
novos amiguinhos. - Sussurrou alguém no meu ouvido para que só eu escutasse, e
quando eu me virei todas as emoções que eu senti naquele dia que deixei o
castelo voltaram, porque a pessoa atrás de mim era ninguém menos que Castiel.
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