Castiel caiu aos meus
pés.
Olhei para ele atônita.
Depois para Nathaniel.
Ele chegou perto de Castiel para dar um chute
em sua barriga.
Me levantei e segurei-o, ele olhou de mim
para Castiel, visivelmente furioso.
- O que ele fez? Porque você está chorando?
Ele fez algo contra você? - Disse Nathaniel, a voz se tornando um grito
furioso.
- Acalme-se Nathaniel. Castiel não fez nada,
eu vim para cá e ele passou por aqui e me viu chorando, por isso veio falar
comigo. - Respondi.
- Não está mentindo para proteger esse
plebeu, está? - Perguntou ele.
- Não, eu não estou. - Respondi, senti ele
relaxar em minhas mãos.
- Tudo bem. - Disse ele para mim e depois se
virou para Castiel - Plebeu saia daqui e vá fazer algo.
- Sim senhor. - Respondeu Castiel se
levantando, fez uma reverencia para nós e se foi.
Quando Castiel já estava fora do curral,
Nathaniel se virou para mim, seus olhos mostravam preocupação.
- O que aconteceu? - Perguntou ele.
- Briguei com nossos pais de novo. -
Respondi.
Seu rosto se endureceu.
- Sei que não deve ser fácil para você saber
de uma hora para outra que vai se casar, mas logo será rainha, tem que aprender
a controlar esse seu temperamento explosivo. - Respondeu ele.
Ri, por incrível que pareça eu ri. Nunca imaginei
que Nathaniel um dia iria me dar conselhos.
- Sempre achei que você não gostava de mim. -
Murmurei.
- Não, eu não gosto de você. - Respondeu ele.
Levantei o rosto para ele, que sorria,
afastou meus cabelos azuis do meu rosto e abriu ainda mais seu sorriso.
- Eu amo você. Você é minha irmã. Claro, eu
gostaria de ser o rei de Lothbrock, mas você é a primogênita. - Murmurou ele me
puxando para um abraço.
- Também te amo irmão. E prometo que quando
for rainha lhe darei o reino de Lothbrock de presente, será só seu. - Murmurei
em seu ouvido.
- Não prometa, eu não quero. Quero sair viajando, quero
conhecer uma terra bem longe daqui, e me tornar rei de lá. Tenho meu dinheiro
para isso. - Disse ele.
Nunca pensei que meu irmão fosse querer isso, sempre pensei
que ele queria Lothbrock só para ele, do jeito que ele me tratava...
Suspirei triste com esse pensamento, de deixá-lo
logo agora que ele estava me tratando como uma verdadeira irmã, mesmo ele não
sendo seu irmão por parte de mãe.
- Então, vamos para o castelo cuidar desse rosto roxo, talvez
a mamãe saiba de algo para colocar no seu rosto. - Falou Nathaniel me levando
para fora do estábulo
Me desvencilhei dos braços dele, não podia aparecer para a
minha madrasta pedindo para ela curar o machucado que ela provocou.
- Acho que eu vou falar com a ama, ela com certeza sabe e eu
não quero incomodar a sua mãe. - Respondi apressadamente.
- Sua? Você não quis dizer nossa? – Perguntou ele rindo do
meu ‘erro’
- É,
nossa mãe. – Respondi sem graça.
- Você não está me escondendo nada, não é Misty? Mesmo eu
sendo mais novo que você isso não é motivo de você não me contar o porquê de
brigar tanto com a nossa mãe.
- Não se preocupe só
nos desentendemos. Deve ser normal, coisa de mãe e filha, sabe? - Respondi.
- Eu não entendo, mas eu não sou mulher, não
tenho que entender. - Disse ele, beijou minha testa e se foi.
Suspirei profundamente, olhei para cima, o céu estava claro,
o sol brilhava forte.
Decidi voltar para o castelo.
Entrei sorrateiramente e andei como um gato
até meu quarto, tranquei a porta atrás de mim.
Peguei um lençol grosso e grande e o enrolei
e amarrei até que virasse uma bolsa de tamanho médio, peguei duas mudas de
roupas práticas, algumas jóias para vender.
O próximo passo era entrar na sala de armas
do rei e pegar algumas para a viagem.
Escondi a bolsa debaixo da minha cama e me
deitei.
Me cobri com os cobertores e me encolhi até
me tornar uma bola. Então eu acabei adormecendo.
Batidas na porta, foi com isso que eu
acordei. Batidas leves e ritmadas na porta.
- Querida? Já está dormindo? - Era a ama, mas mesmo assim eu
fiquei quietinha debaixo do coberto.
Eu queria me despedir dela, mas se eu a visse iria contar
tudo e por mais que eu confiasse nela, ela iria contar para o meu pai e essa
era a última coisa que eu precisava.
- Dormindo ou não, boa noite criança. - Ela
falou por de trás da porta e esperei até não consegui escutar seus passos no
corredor.
A ama era sempre a última a dormi eu deduzi
que todos no castelo estejam dormindo agora e esperei mais um pouco, e então me
levantei da cama.
Olhei pela janela, o sol já tinha deitado e a lua reinava no
céu. Abri minha arca e peguei um vestido solto e gasto. A bainha acabava nos
tornozelos, algo que só uma camponesa usaria, mas era isso que eu fingiria ser
daquele momento em diante.
Peguei minha bolsa debaixo da cama e acendi uma vela. Saí do
quarto devagar, prestando atenção em tudo. Bem devagar fui andando até a sala de armas
do meu pai, que ficava do outro lado do castelo.
Algumas vezes me escondia nos umbrais das portas,
do lado de estantes, agachada em baixo de mesas para que os guardas não me
vissem.
Quando finalmente cheguei a sala de armas
entrei rapidamente e tranquei a porta atrás de mim.
A sala de armas era repleta, obviamente, de
armas. Adagas, arcos e flechas, espadas longas e curtas, lanças, bastões com
bolas de metal cheias de pinos pontiagudos, machados e várias outras.
Peguei duas adagas de lâminas cerradas e uma
com a lâmina lisa, mas muito afiada, facas de atirar e facas normais, peguei
uma um arco e duas aljavas. Peguei ainda cintas de couro para prender as armas
no corpo.
Prendi uma das aljavas nas costas junto com o
arco, peguei uma cinta de couro e prendi as facas e as adagas ali e a prendi em
volta da cintura, coloquei um pano sobre ela para que não fosse possível ver, o
resto coloquei dentro da bolsa.
O estábulo ficava perto da sala de armas, por isso decidi
pular a janela, a distancia entre ela e o chão não era grande, havia uma
plataforma de vigia ali que só era usada durante batalhas. Abri a janela e subi
o parapeito, respirei fundo e pulei, caí agachada em um banque surdo, me
endireitei e corri até o estábulo.
Entrei rapidamente e fui direto até meu
garanhão que dormia, acordei-o e coloquei a cela nele, saí do estábulo com ele
atrás de mim, devagar fui até o portão de trás, os soldados estavam dormindo.
Aquietei meu cavalo e deixei-o do lado do
portão, corri até o outro lado e puxei a corda que abria o portão.
O portão devagar foi se abrindo, depois de
tanto puxar, às vezes parando com medo de que os chiados que o portão fazia
acordasse os soldados, uma abertura grande o bastante para que eu e o cavalo
passássemos se abriu.
Corri até o cavalo, montei-o de pressa.
- Misty? - Uma voz perguntou atrás de mim.
Era familiar.
Virei meu rosto devagar. Castiel.
- O que você está fazendo? - Perguntou ele,
seus olhos estavam arregalados, usava uma roupa comum.
- Hum... Estou, er... Vou dar um passeio. -
Gaguejei.
- Você está fugindo?! - Disse ele, havia
panico em sua voz.
Sorri sem graça.
- Desculpe, mas eu tenho que ir. - Respondi.
- Você está louca? - Perguntou ele incrédulo
- É óbvio que você está louca!
- Não, eu não estou louca. Na verdade nunca
estive tão lúcida na minha vida. - Respondi.
- Você não pode fazer isso. Isso está errado.
- Disse ele.
- Pode ser que eu não possa fazer isso, mas eu tenho. Não é
uma coisa simples, eu preciso ir para descobrir o que sou, quem eu sou. –
Disse.
- Do que você está falando?
- É muito complicado Castiel. - Disse
simplesmente.
Ele abriu os braços e deu um passo para frente.
- Você ia embora sem nem me dizer adeus? -
Disse ele se aproximando cada vez mais.
- Se eu tivesse opção eu desceria desse
cavalo, lhe abraçaria e me despediria adequadamente. - Respondi.
- Então porque não faz isso? - Perguntou ele.
- Porque eu sei o que você vai fazer Castiel. Você vai me
pegar e gritar, acordar os guardas e assim me impedindo de ir embora. Mas essa
não é uma opção que eu quero seguir. - Respondi, ele parou de avançar - Se eu
ficar nunca vou descobrir a verdade sobre mim, mas se eu for não vou descobrir
só os segredos da minha vida, mas, provavelmente, do mundo. E eu quero isso.
- Por quê? - Perguntou abaixando os braços.
- É muito complicado. Eu não quero falar
sobre isso. - Respondi.
Ele me olhou por um longo tempo, suspirei
alto e uma névoa branca saiu da minha boca. Olhei para ele
- Adeus, Castiel - Disse e virei me para o
portão atiçando o cavalo para que começasse a correr.
- Misty. – O ouvi dizer atrás de mim.
Não me virei, continuei em frente.
Só parei quando cheguei no
topo de uma colina, lá embaixo o reino de Lothbrock dormia. O castelo imponente
como sempre, depois de algum tempo, velas começaram a se acender no castelo, as
janelas se iluminavam. Logo todas as janelas brilhavam a luz de velas. Castiel
já devia ter anunciado que eu havia fugido.
Apertei as rédeas do cavalo,
não era momento de parar, aticei o cavalo em direção a Nowhereland.
Nenhum comentário :
Postar um comentário