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23.5.13

Tempestade Azul - Capítulo 4

Castiel caiu aos meus pés.
Olhei para ele atônita.
Depois para Nathaniel.
Ele chegou perto de Castiel para dar um chute em sua barriga.
Me levantei e segurei-o, ele olhou de mim para Castiel, visivelmente furioso.
- O que ele fez? Porque você está chorando? Ele fez algo contra você? - Disse Nathaniel, a voz se tornando um grito furioso.
- Acalme-se Nathaniel. Castiel não fez nada, eu vim para cá e ele passou por aqui e me viu chorando, por isso veio falar comigo. - Respondi.
- Não está mentindo para proteger esse plebeu, está? - Perguntou ele.
- Não, eu não estou. - Respondi, senti ele relaxar em minhas mãos.
- Tudo bem. - Disse ele para mim e depois se virou para Castiel - Plebeu saia daqui e vá fazer algo.
- Sim senhor. - Respondeu Castiel se levantando, fez uma reverencia para nós e se foi.
Quando Castiel já estava fora do curral, Nathaniel se virou para mim, seus olhos mostravam preocupação.
- O que aconteceu? - Perguntou ele.
- Briguei com nossos pais de novo. - Respondi.
Seu rosto se endureceu.
- Sei que não deve ser fácil para você saber de uma hora para outra que vai se casar, mas logo será rainha, tem que aprender a controlar esse seu temperamento explosivo. - Respondeu ele.
Ri, por incrível que pareça eu ri. Nunca imaginei que Nathaniel um dia iria me dar conselhos.
- Sempre achei que você não gostava de mim. - Murmurei.
- Não, eu não gosto de você. - Respondeu ele.
Levantei o rosto para ele, que sorria, afastou meus cabelos azuis do meu rosto e abriu ainda mais seu sorriso.
- Eu amo você. Você é minha irmã. Claro, eu gostaria de ser o rei de Lothbrock, mas você é a primogênita. - Murmurou ele me puxando para um abraço.
- Também te amo irmão. E prometo que quando for rainha lhe darei o reino de Lothbrock de presente, será só seu. - Murmurei em seu ouvido.
- Não prometa, eu não quero. Quero sair viajando, quero conhecer uma terra bem longe daqui, e me tornar rei de lá. Tenho meu dinheiro para isso. - Disse ele.
Nunca pensei que meu irmão fosse querer isso, sempre pensei que ele queria Lothbrock só para ele, do jeito que ele me tratava...
Suspirei triste com esse pensamento, de deixá-lo logo agora que ele estava me tratando como uma verdadeira irmã, mesmo ele não sendo seu irmão por parte de mãe.
- Então, vamos para o castelo cuidar desse rosto roxo, talvez a mamãe saiba de algo para colocar no seu rosto. - Falou Nathaniel me levando para fora do estábulo
Me desvencilhei dos braços dele, não podia aparecer para a minha madrasta pedindo para ela curar o machucado que ela provocou.
- Acho que eu vou falar com a ama, ela com certeza sabe e eu não quero incomodar a sua mãe. - Respondi apressadamente.
- Sua? Você não quis dizer nossa? – Perguntou ele rindo do meu ‘erro’
- É, nossa mãe. – Respondi sem graça.
- Você não está me escondendo nada, não é Misty? Mesmo eu sendo mais novo que você isso não é motivo de você não me contar o porquê de brigar tanto com a nossa mãe.
- Não se preocupe só nos desentendemos. Deve ser normal, coisa de mãe e filha, sabe? - Respondi.
- Eu não entendo, mas eu não sou mulher, não tenho que entender. - Disse ele, beijou minha testa e se foi.
Suspirei profundamente, olhei para cima, o céu estava claro, o sol brilhava forte.
Decidi voltar para o castelo.
Entrei sorrateiramente e andei como um gato até meu quarto, tranquei a porta atrás de mim.
Peguei um lençol grosso e grande e o enrolei e amarrei até que virasse uma bolsa de tamanho médio, peguei duas mudas de roupas práticas, algumas jóias para vender.
O próximo passo era entrar na sala de armas do rei e pegar algumas para a viagem.
Escondi a bolsa debaixo da minha cama e me deitei.
Me cobri com os cobertores e me encolhi até me tornar uma bola. Então eu acabei adormecendo.
Batidas na porta, foi com isso que eu acordei. Batidas leves e ritmadas na porta.
- Querida? Já está dormindo? - Era a ama, mas mesmo assim eu fiquei quietinha debaixo do coberto.
Eu queria me despedir dela, mas se eu a visse iria contar tudo e por mais que eu confiasse nela, ela iria contar para o meu pai e essa era a última coisa que eu precisava.
- Dormindo ou não, boa noite criança. - Ela falou por de trás da porta e esperei até não consegui escutar seus passos no corredor.
A ama era sempre a última a dormi eu deduzi que todos no castelo estejam dormindo agora e esperei mais um pouco, e então me levantei da cama.
Olhei pela janela, o sol já tinha deitado e a lua reinava no céu. Abri minha arca e peguei um vestido solto e gasto. A bainha acabava nos tornozelos, algo que só uma camponesa usaria, mas era isso que eu fingiria ser daquele momento em diante.
Peguei minha bolsa debaixo da cama e acendi uma vela. Saí do quarto devagar, prestando atenção em tudo. Bem devagar fui andando até a sala de armas do meu pai, que ficava do outro lado do castelo.
Algumas vezes me escondia nos umbrais das portas, do lado de estantes, agachada em baixo de mesas para que os guardas não me vissem.
Quando finalmente cheguei a sala de armas entrei rapidamente e tranquei a porta atrás de mim.
A sala de armas era repleta, obviamente, de armas. Adagas, arcos e flechas, espadas longas e curtas, lanças, bastões com bolas de metal cheias de pinos pontiagudos, machados e várias outras.
Peguei duas adagas de lâminas cerradas e uma com a lâmina lisa, mas muito afiada, facas de atirar e facas normais, peguei uma um arco e duas aljavas. Peguei ainda cintas de couro para prender as armas no corpo.
Prendi uma das aljavas nas costas junto com o arco, peguei uma cinta de couro e prendi as facas e as adagas ali e a prendi em volta da cintura, coloquei um pano sobre ela para que não fosse possível ver, o resto coloquei dentro da bolsa.
O estábulo ficava perto da sala de armas, por isso decidi pular a janela, a distancia entre ela e o chão não era grande, havia uma plataforma de vigia ali que só era usada durante batalhas. Abri a janela e subi o parapeito, respirei fundo e pulei, caí agachada em um banque surdo, me endireitei e corri até o estábulo.
Entrei rapidamente e fui direto até meu garanhão que dormia, acordei-o e coloquei a cela nele, saí do estábulo com ele atrás de mim, devagar fui até o portão de trás, os soldados estavam dormindo.
Aquietei meu cavalo e deixei-o do lado do portão, corri até o outro lado e puxei a corda que abria o portão.
O portão devagar foi se abrindo, depois de tanto puxar, às vezes parando com medo de que os chiados que o portão fazia acordasse os soldados, uma abertura grande o bastante para que eu e o cavalo passássemos se abriu.
Corri até o cavalo, montei-o de pressa.
- Misty? - Uma voz perguntou atrás de mim.
Era familiar.
Virei meu rosto devagar. Castiel.
- O que você está fazendo? - Perguntou ele, seus olhos estavam arregalados, usava uma roupa comum.
- Hum... Estou, er... Vou dar um passeio. - Gaguejei.
- Você está fugindo?! - Disse ele, havia panico em sua voz.
Sorri sem graça.
- Desculpe, mas eu tenho que ir. - Respondi.
- Você está louca? - Perguntou ele incrédulo - É óbvio que você está louca!
- Não, eu não estou louca. Na verdade nunca estive tão lúcida na minha vida. - Respondi.
- Você não pode fazer isso. Isso está errado. - Disse ele.
- Pode ser que eu não possa fazer isso, mas eu tenho. Não é uma coisa simples, eu preciso ir para descobrir o que sou, quem eu sou. – Disse.
- Do que você está falando?
- É muito complicado Castiel. - Disse simplesmente.
Ele abriu os braços e deu um passo para frente.
- Você ia embora sem nem me dizer adeus? - Disse ele se aproximando cada vez mais.
- Se eu tivesse opção eu desceria desse cavalo, lhe abraçaria e me despediria adequadamente. - Respondi.
- Então porque não faz isso? - Perguntou ele.
- Porque eu sei o que você vai fazer Castiel. Você vai me pegar e gritar, acordar os guardas e assim me impedindo de ir embora. Mas essa não é uma opção que eu quero seguir. - Respondi, ele parou de avançar - Se eu ficar nunca vou descobrir a verdade sobre mim, mas se eu for não vou descobrir só os segredos da minha vida, mas, provavelmente, do mundo. E eu quero isso.
- Por quê? - Perguntou abaixando os braços.
- É muito complicado. Eu não quero falar sobre isso. - Respondi.
Ele me olhou por um longo tempo, suspirei alto e uma névoa branca saiu da minha boca. Olhei para ele
- Adeus, Castiel - Disse e virei me para o portão atiçando o cavalo para que começasse a correr.
- Misty. – O ouvi dizer atrás de mim.
Não me virei, continuei em frente.
Só parei quando cheguei no topo de uma colina, lá embaixo o reino de Lothbrock dormia. O castelo imponente como sempre, depois de algum tempo, velas começaram a se acender no castelo, as janelas se iluminavam. Logo todas as janelas brilhavam a luz de velas. Castiel já devia ter anunciado que eu havia fugido.

Apertei as rédeas do cavalo, não era momento de parar, aticei o cavalo em direção a Nowhereland.

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