Eles estavam no topo de uma montanha rochosa, a frente deles havia um grande abismo e depois se encontrava a cidade.
"Ok, mas como iremos passar para lá?" Perguntou Jenny colocando as mãos na cintura "Vamos voar? Você tem asas por acaso?"
Jude olhou para ela preocupado, eles não poderiam simplesmente pular o abismo que devia ter uns vinte metros de comprimento e infinitos de profundidade.
"Vamos continuar andando." Disse Jude dando de ombros.
Os dois continuaram andando em frente e quanto mais andavam pareciam estar mais perto da cidade, mas o abismo parecia não ter fim.
Depois de andarem por horas chegaram a uma ponte de concreto que ligava a montanha ao outro lado do abismo, a cidade.
"Que sorte! Achei que encontraríamos uma daquelas pontes de madeira e corda caindo aos pedaços." Disse Jenny.
"Imaginei o mesmo." Disse Jude, subiram na ponte e começaram a longa caminhada.
Quando faltavam apenas dois metros para a cidade eles pararam, a ponte acabava ali, só havia mais dois metros de abismo.
"O que faremos?" Perguntou Jenny desesperada.
"Não tenho a minima ideia!" Respondeu Jude.Os dois se sentaram na beira da ponte com as pernas balançando.
"Dino colocou cordas nas nossas mochilas, certo?" Disse Jude.
"Isso." Disse Jenny, os dois abriram suas mochilas e pegaram as cordas.
"A minha só tem um metro." Disse Jude.
"A minha também! Mas que diabos de cordas tem apenas um metro?" Disse ela irritada.
"Vamos amarrá-las uma a outra, prendemos uma das pontas em um dos ferros transversais da ponte e nos jogamos para o outro lado." Disse Jude.
" Não vai dar certo! Quando amarrarmos elas vamos perder uns cinco centímetros e os ferros transversais acabam a meio metro daqui, só sobrará um metro e sessenta e cinco de corda!" Disse Jenny.
"Vamos tentar, não temos nada a perder." Disse Jude.
"Só as nossas vidas." Murmurou Jenny, mas Jude não ouviu.
Eles amarram as cordas e prenderam uma das pontas na última barra de ferro da ponte, prenderam firme as mochilas junto ao corpo e se prepararam.
"Quem vai primeiro?" Perguntou Jenny.
"Vamos juntos." Disse Jude.
"Não, se formos juntos ambos vão morrer, é melhor só um." Disse Jenny.
"É sério, Jenny?" Perguntou Jude olhando-a nos olhos.
"Ok, tudo bem, você venceu. Vamos juntos, mas como?" Respondeu ela cruzando os braços.
"Sou maior que você, então cruze seus braços pelo meu pescoço e enrole suas pernas em torno de mim." Disse Jude segurando a corda.
"Está louco?" Perguntou ela.
"Desde que cheguei aqui tenho ficado louco a cada minuto." Respondeu ele.
"Também estou assim." Rebateu ela cruzando os braços em torno do pescoço dele.
"Pronta?" Perguntou ele.
"Sim." Respondeu ela.
Os dois foram para trás até onde a corda aguentava e depois correram para o abismo, assim que seus pés não pisavam mais no concreto Jenny enrolou suas pernas em torno de Jude.
Tudo aconteceu muito rápido.
"Jenny se solte de mim." Gritou Jude, a menina o obedeceu automaticamente e Jude a empurrou para frente fazendo-a cair no chão a centímetros da queda do abismo. Jude soltou a corda e se jogou para a frente, suas mãos agarram a beira do abismo, não ia aguentar por muito tempo.
As mãos finas de Jenny apertaram as de Jude segurando-as e puxando-as para ela, os dois fizeram força para trazer Jude para cima.
Conseguiram, os dois caíram cansados no chão, arfando forte.
"Conseguimos! Nós conseguimos!" Levantou Jenny gritando e pulando de felicidade.
Jude começou a rir não acreditando no que haviam feito.
" Acho que agora não é hora para brincadeira Jenny." Disse Jude encarando a cidade.
"Como assim?" Perguntou Jenny se virando e encarando a cidade de boca aberta.
A cidade era um labirinto cheio de casas e prédios juntos, com ruas estreitas e mal iluminadas, mesmo estando de dia os raios solares pareciam não penetrar na escuridão da cidade.
Jude e Jenny se entreolharam e entraram na cidade, a cada rua que passavam mais estranhas criaturas apareciam.
Até chegarem em uma praça que tinha a forma de um círculo perfeito, eles repararam que ali o número de demônios era muito maior.
"O que faremos?" Perguntou Jude só para que ela ouvisse.
"Primeiro temos que mudar as nossas roupas para ficarmos parecidos com eles, depois tentaremos nos enturmar." Respondeu ela no mesmo tom.
"Está louca? Nos enturmar?" Perguntou ele incrédulo.
"Em Roma aja como os romanos, já ouviu isso? E desde que cheguei aqui tenho ficado louca a cada minuto." Rebateu ela.
Ele concordou e eles seguirão para um beco que levava para trás das construções, o céu já escurecia aos poucos.
Havia várias portas de metal, em cima de cada uma delas havia uma placa que dizia nome da loja, boate ou pub que ali existia.
Eles entraram em uma loja de roupas, estava vazia, mas havia luzes sobres as arraras de roupas.
Jeeny e Jude se separaram. Jenny foi para a ala feminina, trocou seus jeans sujos por uma meia calça preta rasgada estrategicamente e um short jeans escuro, uma blusa tomara que caia de couro preta com amarras nas costas, uma jaqueta e uma bota de couro.
Jude foi para a ala masculina, substituiu suas roupas sujas por uma camisa preta e uma jaqueta de couro, uma calça jeans escura e botas de motoqueiro.
Os dois se encontraram na porta de trás da loja.
"Você está bem." Disse Jenny olhando Jude dos pés a cabeça.
"Já você não." Disse ele.
"Como?" Perguntou ela.
"Eu reparei que elas usam muita maquiagem e deixam os cabelos presos em um rabo de cavalo." Disse ele pegando a mão dela. "Vamos, eu vi umas maquiagens lá dentro." E a puxa para dentro da loja.
Jude colocou-a sentada na cadeira e cruzou os braços.
"Eu não vou fazer isso." Disse ela depois de se olhar no espelho por um longo tempo.
"Pare de besteira, prenda o cabelo pelo menos." Disse ele.
"Não." Disse ela malcriada.
Jude suspirou e pegou um elástico de cabelo, já havia prendido o cabelo de sua irmã mais nova milhares de vezes, não seria tão difícil.
Pegou um pente e começou a pentear os cabelos de Jenny para trás e os prendeu no alto da cabeça em um rabo de cavalo.
Sorriu e olhou para o rosto da amiga no espelho.
Jenny olhava seu reflexo com dor nos olhos e então Jude entendeu porque ela não queria prender o cabelo e o deixava sempre caindo sobre os olhos. Dá metade a testa, passando pelo olho esquerdo e terminando perto da orelha esquerda havia uma grande e espessa cicatriz.
"Jenny, sinto muito." Murmurou Jude. "O que aconteceu?"
"Não sente nada, e também não precisa saber." Disse a garota, sua voz estava rouca, Jenny pegou uns pinceis e maquiagens e começou a pintar o rosto, pintou os olhos de preto e marcou os lábios de vermelho sangue, não fez nada para esconder a cicatriz.
Jude ficou a observando calado.
"Pronto." Disse ela quando acabou e se levantou, Jude a olhou com admiração, viu atrás dela uma prateleira com cicatrizes falsas, foi até lá e pegou uma parecida com a de Jenny, se sentou de frente para o espelho e esticou a embalagem com a cicatriz para Jenny.
"Coloque para mim?" Perguntou ele.
Ela assentiu, Jude achou ter visto lágrimas nos olhos dela, mas achou que fosse só impressão.
"Pronto." Disse Jenny quando acabou.
Jude se olhou no espelho, a cicatriz parecia de verdade.
"Bom trabalho, agora vamos." Disse ele, os dois sairão da loja e voltaram para a praça.
"O que faremos agora?" Perguntou Jenny.
"Que tal nos enturmar?" Respondeu Jude com outra pergunta.
"Como?" Respondeu Jenny no mesmo tom brincalhão de Jude.
"Parece que os demônios vão a Night Clubs. Porque não vamos também?" Disse Jude sorrindo.
"Você é louco." Disse Jenny concordando.
"Desde que cheguei aqui tenho ficado louco a cada minuto." Disse ele a puxando para uma boate no fim da praça.
Eles entraram na fila e esperaram até chegar a vez deles, dois grandes demônios os olharam de cima a baixo, eles estavam sérios e tentavam fazer cara de maus, os demônios os deixaram entrar.
A boate era muito mal iluminada como as demais boates do mundo, luzes de todas as cores piscavam e giravam por todo lado, as criaturas dançavam, pulavam, bebiam, paqueravam e até se beijavam, sendo que os últimos dois ao ver de Jenny e Jude era muito nojento.
Não havia mesas naquele andar, mas nos camarotes haviam até camas.
"Não beba nada. Não coma nada. Não fale com ninguém." Ordenou Jude.
Jenny se virou para ele e o encarou.
"Então o que faremos?" Perguntou ela.
"Senhores, querem guardar suas mochilas?" Perguntou um demônio na forma humana. Jude olhou para ele desconfiado, mas Jenny entregou logo sua mochila, como Jude não se movia ela arrancou sua mochila de suas costas e deu ao demônio que deu a ela uma plaquinha para que quando saíssem pudesse pegar as mochilas de volta.
"Por que você entregou as nossas mochilas?" Perguntou Jude irritado quando o demônio saiu.
"Não temos nada a perder, Jude." Disse ela sorrindo e pegando uma das mãos de Jude e o arrastando para a pista de dança. Chegou perto dele sorrindo sedutoramente e foi até seu ouvido. "Se divirta como se essa fosse a sua última chance." Disse ela em seus ouvidos, e foi isso que ele fez. Que eles fizeram.
Os dois sacudiram seus corpos em uma dança esquisita e diferente, mas que acompanhava o ritmo da música.
As luzes piscavam sem parar.
A música gritava em seus ouvidos como se quisesse estourar seus tímpanos.
Os corpos dos demônios ao redor deles se moviam freneticamente, mas pareciam não perceber a presença dos dois ali.
Jenny e Jude dançavam sem tirar os olhos um do outro, suas mãos estavam sempre juntas, como se tivessem medo de se perder do outro.
Jenny chegou mais perto de Jude.
Jude chegou mais perto de Jenny.
Em um acordo silencioso os dois foram até a saída pegaram suas mochilas, saíram da boate sem soltar as mãos.
Depois de correrem por várias ruas desertas e escuras eles chegaram a um morro deserto, sem grama e nem um vestígio de que algum ser tenha passado por ali.
Eles se sentaram no topo do morro de mãos dadas.
E se beijaram, primeiro gentilmente e depois feroz.
Os dois trocaram beijos e caricias durante o resto da noite e caíram no sono aconchegados um no outro.
Naquela noite os dois descobriram seu amor.
Naquela noite Jenny descobriu um segredo.
Nenhum comentário :
Postar um comentário